Opinião

A diplomacia cultural e as cidades

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Cláudia Leitão, antropóloga, professora universitária, ex-secretária da Cultura do Ceará (Foto: Iana Soares O POVO)
Foto: Iana Soares O POVO Cláudia Leitão, antropóloga, professora universitária, ex-secretária da Cultura do Ceará

A diplomacia cultural, no seu sentido tradicional, é considerada como parte do softpower das nações, cujo prestígio simbólico ainda continua sendo inferior aos temas da inteligência militar ou econômica, mas que demonstra nas últimas décadas uma vitalidade cada vez maior. Neste século, os debates sobre as diversas dimensões do campo de influência entre as nações vêm crescendo e, graças ao debate europeu, a diplomacia cultural vem ganhando um maior enfoque na área da comunicação, relacionando-se com as práticas de marca nacional e o cultivo de imagens para alcançar objetivos políticos. Na busca de uma versão mais ampla de diplomacia cultural, a cultura ganha lugar cada vez mais estratégico na promoção do diálogo intercultural e na construção da paz entre as nações. Esse é um terreno fértil para as políticas culturais.

A diplomacia cultural não reconhece a cultura somente como as artes ou o patrimônio. Ela se estende também às economias criativas, às novas tecnologias, às culturas emergentes, às manifestações da cultura urbana e, especialmente, às culturas juvenis. É por isso, que as cidades vêm construindo, de forma cada vez mais autônoma, suas políticas de Relações Exteriores. Assim, as gestões municipais, em todo o mundo, vêm trabalhando com afinco as políticas de cultura como diferenciais estratégicos para a construção de sua imagem no cenário global.

Com a recente transformação de Fortaleza em um hub aéreo, nossa capital precisa, mais do que nunca, reafirmar suas vocações, narrativas e marcas identitárias. Na construção do softpower de Fortaleza é louvável que a Prefeitura Municipal de Fortaleza, com o apoio do Sebrae, tenha apostado, recentemente, em sua candidatura à chancela Unesco de Cidade do Design. A implantação do primeiro Distrito Criativo de Fortaleza constitui um outro passo estruturante nessa direção. Enfim, para ser um destino turístico diferenciado, Fortaleza deve trabalhar, urgentemente, sua diplomacia cultural com outras cidades. Afinal, a diplomacia cultural não é somente contar ao mundo o que somos, mas também escutar dos outros o que são e o que podemos ser juntos. n

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