No final do governo Bolsonaro, a menor distância entre dois pontos, pelo menos no Brasil, deixará de ser uma reta.
Por aqui, a lógica foi subvertida, tudo que parecia ilegal ou imoral se fez legítimo e aceitável por todo o rebanho formado por gente de bem.
O filho do Lula recebeu um passaporte diplomático: "corrupto, ladrão", bradaram os homens de bem.
O filho do Bolsonaro foi indicado pelo pai para ser o embaixador brasileiro nos Estados Unidos: "não é nepotismo, ele fez intercâmbio e fritou hambúrguer nos EUA, pode ser embaixador", bradam os homens de bem, todos concordando com o "mito" que afirmou: "se está sendo criticado, sinal que é a decisão adequada".
Lula fez palestras e ganhou dinheiro com isso: "mentira, isso é lavagem de dinheiro, corrupção", apontaram o dedo os moralistas de plantão.
Deltan Dallagnol, coordenador da Lava Jato, articulou a criação de uma empresa para faturar R$ 400 mil por ano com palestras, usando da fama obtida pela exposição na mídia com o caso. Só no Ceará, faturou R$ 30 mil da Fiec e uma estadia no Beach Park. "Lucro do bem", responderam em uníssono os cidadãos de bem tementes a Deus.
Por isso, não se espante se o próximo procurador-geral da República (seja lá o que signifique essa palavra hoje) for Deltan Dallagnol, pois, seguindo a lógica insana ou bolsonariana, se está sendo criticado, sinal que é a decisão adequada. Mas isso, só saberemos aos quarenta e oito minutos do segundo tempo, como costuma dizer o nosso presidente. Ou seja, pela mesma lógica, Sergio Moro, aquele que não confirma nem desconfirma se os diálogos são verdadeiros, e se falou não se lembra, certamente deverá ser um "terrivelmente evangélico" (palavras do Mito) a tomar posse no Supremo Tribunal Federal.
Mas o que esperar de um presidente que, sobre a morte do MC Reaça, disse: "Tinha o sonho de mudar o País e apostou em meu nome por meio de seu grande talento. Será lembrado pelo dom, pela humildade e por seu amor pelo Brasil".
E sobre a morte de João Gilberto falou: "Era uma pessoa conhecida. Nossos sentimentos à família, tá ok?".