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Damares Alves: Não confessional e complementar
Opinião

Damares Alves: Não confessional e complementar

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Damares Alves
Ministra da Mulher, da Família e dos Direitos Humanos
 (Foto: Luiz Alves/MDH)
Foto: Luiz Alves/MDH Damares Alves Ministra da Mulher, da Família e dos Direitos Humanos

As críticas ao programa de iniciação sexual tardia são injustas. Sem conhecer nossa proposta, já apontam um caráter religioso inexistente.

O projeto em elaboração pelo nosso Ministério é não confessional. E não poderia ser diferente, já que chefio a pasta responsável por promover as liberdades de religião, crença e consciência.

A verdadeira motivação por trás do programa são as estatísticas preocupantes sobre a taxa de gravidez precoce. Os números brasileiros estão acima da média da América Latina e do Caribe, que ficam atrás apenas da África subsaariana.

É verdade que houve redução nos casos este ano. Mas na faixa entre crianças entre 10 e 14 anos a redução foi de apenas 27%, o que nos deixa com uma média de 160 mil adolescentes grávidas nessa faixa etária por ano.

Para piorar, a gravidez na juventude é muito mais frequente em regiões de vulnerabilidade social e está diretamente ligada ao agravamento da pobreza, aumento do risco de morte materna, entre outros problemas.

A principal causa é a falta de informação. Por isso, é essencial a criação de políticas respaldadas na ciência e focada na conscientização de jovens. Eles precisam estar cientes das consequências da gravidez na juventude para que tomem decisões mais bem informadas.

Os principais estudos sobre o tema demonstram que as abordagens mais abrangentes são as mais eficientes no combate à gravidez precoce. Mas, atualmente, não há nenhuma política semelhante à nossa.

E é exatamente isso que queremos mudar. O nosso programa não excluirá os demais métodos contraceptivos. Pelo contrário, é complementar, para que a educação sexual seja a mais abrangente e completa possível.

A educação sexual já aborda assuntos como a prevenção de DSTs, o uso de contraceptivos, entre outros. Por que não incluir o adiamento da vida sexual?

Até porque não se trata de uma intervenção do Estado à liberdade do jovem. É o contrário: dar autonomia e ampliar os direitos de crianças e adolescentes, com enfoque na valorização da pessoa humana e no fortalecimento da saúde emocional.

Apesar das críticas, a iniciação sexual tardia é, sim, o único método contraceptivo 100% eficaz. Os demais, por mais que tenham sua eficácia comprovada, são passíveis de falha.

Mesmo assim devem ser usados como forma de proteção por jovens que já iniciaram sua vida sexual, principalmente em períodos como o do Carnaval. 

 

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