Opinião

Eduardo Junqueira: Atividade escolar remota não é EaD

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Eduardo Junqueira
PhD em Educação e professor da UFC
 (Foto: Acervo pessoal)
Foto: Acervo pessoal Eduardo Junqueira PhD em Educação e professor da UFC

O cancelamento das aulas presencias em escolas e universidades, devido à pandemia do Covid-19, fortaleceu a crença de que o popular telefone celular e a internet tornam possível levar a escola para dentro de casa.

Aprender conteúdos escolares é uma ação que envolve aspectos cognitivos e afetivos do ser humano. No nível da inteligência, do raciocínio, o aluno precisa compreender conceitos novos (uma lei da física ou uma regra gramatical, por exemplo) e aplicá-los a alguma situação que lhe faça sentido, contando para isso com o professor. No nível emocional, precisa se sentir motivado e acolhido pelo mestre e pelos colegas, fomentar vínculos sociais e buscar aprender mais.

A educação a distância (EaD) é indicada para adultos e utiliza tecnologias digitais para criar uma experiência de aprendizagem do aluno similar à da sala de aula presencial (com alguns limites, como aulas práticas em laboratórios, por exemplo). Uma equipe multidisciplinar de profissionais planeja e executa ações pedagógicas que incluem aulas ao vivo pela internet, materiais de estudo adaptados às necessidades dos alunos, avaliação continuada, acompanhamento de tutores treinados. Ao ingressar, o aluno recebe um treinamento sobre como estudar à distância.

Deve-se ter cautela ao se utilizar apenas atividades escolares remotas em períodos de crise como o vivido atualmente. É necessário um planejamento detalhado das ações e a participação constante do professor para apresentar conceitos, esclarecer dúvidas e motivar o aluno. Note-se também que o telefone celular não foi feito para estudar e provoca muitas distrações. A tela pequena dificulta a leitura de textos complexos e o acesso à internet de boa parte dos brasileiros limita a visualização frequente de vídeos longos. Em casa, é fundamental ter um ambiente saudável e silencioso reservado ao estudo, o que é raro em nossas comunidades periféricas. É preciso, portanto, não incorrer no equívoco de acreditar que essas atividades remotas temporárias poderão substituir a aprendizagem na escola, pois são ações complementares e não a verdadeira EaD.

 

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