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Emanuel Freitas da Silva: Dá-nos tua benção, Jair de Deus!
Opinião

Emanuel Freitas da Silva: Dá-nos tua benção, Jair de Deus!

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Emanuel Freitas da Silva, professor adjunto de Teoria Política (Uece/Facedi), professor permanente do programa pós-graduação em Políticas Públicas (Uece) e professor permanente do programa de pós-graduação em Sociologia (Uece) (Foto: Acervo pessoal)
Foto: Acervo pessoal Emanuel Freitas da Silva, professor adjunto de Teoria Política (Uece/Facedi), professor permanente do programa pós-graduação em Políticas Públicas (Uece) e professor permanente do programa de pós-graduação em Sociologia (Uece)

No último dia 21 de maio, um "encontro com lideranças católicas" constava na agenda presidencial. Disponível no YouTube, o encontro, organizado pela Frente Parlamentar Católica, durou pouco mais de uma hora e, bem longe de realizar-se com "lideranças católicas", tratou-se de um encontro com "homens de negócios" das redes de televisão católica.

Ali reunidos como "maioria do povo brasileiro" (a tal maioria católica), e "enciumados" pelo "tratamento dado pelo presidente" a outros cristãos, os evangélicos (palavras de um dos deputados presentes), o encontro serviu para dizer ao presidente que eles, representantes católicos, existem, podem fazer coro à voz presidencial, pois veem nele a "cara da pauta de costumes no Brasil".

Além de deputados (sobretudo os ligados à Renovação Carismática, da qual faz parte Eros Biondini, um dos vice-líderes do governo) e dos empresários da comunicação católica, estavam padres "midiáticos", como Reginaldo Manzotti, que lembrou ao presidente ter programa de rádio "em mais de 1600 rádios, tendo capilaridade quase maior que a Voz do Brasil". Poxa!

As emissoras católicas representadas foram as seguintes: Pai Eterno, Evangelizar, Século XXI e Rede Vida. Em linhas gerais, estavam ali para dizer: temos a audiência católica em mãos; somos, os católicos, a maioria do País; estamos dispostos a colocar essa comunicação a seu dispor; ajude-nos! O leitor pode, por si mesmo, conferir. Frases como "uma aproximação maior com a Secom", "possamos estar unidos numa pauta mais positiva das ações do governo", "agilizar transferências de outorgas", "precisamos de investimentos para aumentar a audiência" e "esteja mais perto da gente" formaram o "clamor" das lideranças/empresários ali presentes. Uma empreitada, portanto, que busca enviesar, para os interesses do presidente, a "comunicação católica".

Em se efetivando, não demorará a vermos fiéis a mudar a letra da música destinada a João Paulo II, nos idos anos 1980, e entoar o refrão que dá nome a este texto. Serão as boas notícias (Evangelho?) do Jair de Deus. 

 

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