Com as grandes conturbações advindas da crise provocada pelo novo coranavírus e pelo momento político brasileiro, tenho tido muito cuidado com tudo o que leio, vejo e escuto. Nesse sentido, recebi de um grande amigo, o antropólogo e consultor empresarial Luiz Marins, o artigo "Será Verdade?", no qual ele retrata de maneira muito clara aquilo que sinto e compreendo como relevante no momento.
Citando o jornalista britânico Matthew D'Ancona, autor do livro Pós-verdade: a nova guerra contra os fatos em tempos de fake news, Marins chama a nossa atenção para o fato de que "a pós-verdade não é uma simples mentira, mas sim uma escolha individual dentre várias informações daquela que mais cabe ao gosto e interesse do indivíduo, segundo seu universo".
Essa pós-verdade seria um dos pontos de inflexão para o início de uma nova era, que já inauguramos. "A era do engano e da mentira". E ele acrescenta: "A novidade associada a esse neologismo consiste na popularização das crenças falsas e manipuladoras e na facilidade de fazer com que os boatos prosperem". Estamos tão envolvidos nessa engrenagem, que muitas vezes recebemos e compartilhamos informações sem verificar.
Marins esclarece que fazemos isso porque não nos damos conta da propagação contumaz da mentira. "Um item de informação não confiável que é repetido tantas vezes que se torna aceito como fato. Hoje em dia tudo é verificável e, portanto, não é fácil mentir. Mas essa dificuldade pode ser superada com dois elementos básicos: a insistência na mentira, apesar dos desmentidos confiáveis; e a desqualificação de quem a contradiz".
O grande problema resultante de tudo isso, segundo o antropólogo, é que "se chegou à paradoxal situação em que as pessoas já não acreditam em nada e ao mesmo tempo são capazes de acreditar em qualquer coisa". O momento que estamos vivendo tem nos contaminado e nos levado a uma verdadeira confusão mental sobre o que está acontecendo e, principalmente, a uma insegurança do que virá pela frente. Temos que buscar consciência crítica e pedir a Deus que nos ilumine para distinguir entre o falso e o verdadeiro.