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Luiz Antonio França: Déficit habitacional cai 19% no Nordeste

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Luiz Antonio França 
Presidente da Associação Brasileira de Incorporadoras Imobiliárias (Abrainc) 
 (Foto: Acervo pessoal)
Foto: Acervo pessoal Luiz Antonio França Presidente da Associação Brasileira de Incorporadoras Imobiliárias (Abrainc)

As famílias brasileiras precisam de 7,797 milhões de moradias, especialmente as de baixa renda, como mostrou estudo da Associação Brasileira de Incorporadoras Imobiliárias (Abrainc). O déficit habitacional do Brasil priva milhões de pessoas do acesso à casa própria e o volume de construção ainda é insuficiente, apesar do esforço do setor para elevar o nível de produtividade. Mas é o financiamento, sem dúvida, o grande limitador dessa mudança.

No Nordeste, o déficit em 2019 era de quase 2,3 milhões de domicílios. Número alto, mas com uma face positiva: houve queda de cerca de 19% no déficit habitacional local em relação a 2004, quando a região precisava de 2,835 milhões de residências. Foi região do País com a maior recuo no déficit ao longo de 15 anos.

A retração reflete o efeito positivo de políticas públicas habitacionais focadas em auxiliar a população de baixa renda a adquirir um imóvel para morar, deixando habitações precárias e dando um passo importante em direção à ascensão social.

É o caso do Programa o Minha Casa, Minha Vida - transformado agora no Casa Verde e Amarela. Foram as taxas de financiamento mais acessíveis a população de baixa renda que levaram o Nordeste a reduzir o déficit habitacional em cerca de 537 mil domicílios entre 2004 e 2019.

Mas a região, assim como todas as demais, segue com o desafio de zerar o déficit. Para isso, além da continuidade da política habitacional, faz-se necessário mudar o modelo atual de juros do financiamento imobiliário. Quanto maiores os juros, mais renda é necessária para financiar um imóvel.

Defendemos o modelo Poupança , que foi recentemente implantado por um banco e permitiu ao comprador se beneficiar da redução na taxa básica de juros, a Selic. Nessa modalidade, a taxa do financiamento varia conforme a remuneração da poupança. Isso já permite financiamentos imobiliários a taxa de 5,39% ao ano, reduzindo a primeira parcela em 14%.

Cabe aos bancos privados aderir a essa nova modalidade positiva para o cidadão e aos governos garantir programas de habitação focados na baixa renda, procurando novas soluções que viabilizem financiamentos com juros baixos à população mais pobre. Caso contrário, a demanda estimada de 30,7 milhões de novos domicílios até 2030 trará fortes problemas sociais ao Brasil. 

 

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