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Catarina Rochamonte : Ceará: eleições, corrupção e poder
Opinião

Catarina Rochamonte : Ceará: eleições, corrupção e poder

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Tipo Notícia Por
Catarina Rochamonte 
Doutora em Filosofia e vice-presidente do Instituto Liberal do Nordeste 
 (Foto: Acervo pessoal)
Foto: Acervo pessoal Catarina Rochamonte Doutora em Filosofia e vice-presidente do Instituto Liberal do Nordeste

Presente na política há décadas, a família de Ciro e Cid Gomes combina o viés oligárquico da política tradicional do estado com um pragmatismo sincrético que, invariavelmente, realça a habilidade de criar condições para se manter no eixo do poder por meio das mais variadas e oportunistas alianças políticas. Misturando coronelismo, populismo e altas doses de maquiavelismo, o poderoso clã sobralense amealhou nacos de poder que o coloca no controle de amplos setores da vida dos cearenses.

Em simbiose milionária com determinados grupos empresariais, influenciando por muitos anos a indicação de desembargadores, atuando com expertise nas práticas pouco republicanas da velha política e contando com a cumplicidade de muitos, os Ferreira Gomes instauraram no Ceará um esquema político gigantesco que atropela qualquer esboço de reação, criando uma situação de quase invulnerabilidade desse grupo que está no poder.

É a manutenção ou o começo do desmanche desse mecanismo que está em jogo na atual disputa pela prefeitura de Fortaleza. Temos, de um lado, Sarto, o candidato da "máquina" ou, mais especificamente, o candidato do Ciro, e, do outro lado, Capitão Wagner, em quem os adversários tentam colar a pecha de candidato do bolsonarismo, mas que, na verdade, é o candidato daqueles que querem libertar o Ceará do jugo dessa família que dita as regras no Estado em sua relação de promiscuidade com os interesses privados e projetos pessoais de poder.

A nacionalização dessa disputa é, na verdade, uma estratégia para desviar o eleitor dos inúmeros escândalos que já vieram à tona e que envolvem diretamente o condomínio político que manda no estado (PDT, PT e asseclas): há investigações em curso sobre desvio de verbas públicas na construção do hospital de campanha instalado no PV, sobre compra, com aval do governador, de 300 respiradores que nunca apareceram, sobre propina de 25 milhões em troca de liberação de ICMS, além de um áudio no qual o deputado Bruno Gonçalves negocia por dois milhões e meio, em nome de Roberto Cláudio, a compra de parte da sua base partidária.

O governador Camilo Santana e o prefeito Roberto Claudio têm perfil afável, mas são peças chave na engrenagem do gigantesco mecanismo, enquanto Sarto é apenas o homem de confiança para operá-lo. 

 

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