Opinião

Números do Fórum mostram efeitos ruins do motim

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Se ainda restava dúvida sobre o quanto foi bárbaro o motim da Polícia Militar, ocorrido no Ceará no início do ano passado, e dos terríveis efeitos advindos do movimento, ela acaba de ser desfeita.

Não se entra aqui nem no debate sobre o abuso cometido pelos militares, proibidos pela Constituição de fazer greve, menos ainda ostentando armas e ameaçando a população.

Sobre isso já escrevi vários artigos, o mais recente "Governadores precisam apertar controles da Polícia Militar" (23/6/2021).

Agora, o anuário do Fórum Brasileiro de Segurança Pública (FBSP) confirma que o movimento da PM influiu diretamente no aumento das mortes violentas intencionais (MVI) e também facilitou o avanço das facções no Estado.

Veja, no próprio texto do anuário, o trecho mostrando que, entre todas as unidades da federação, foi no Ceará que aconteceu o maior aumento de homicídios:

"O maior crescimento se deu no Ceará, com 75,1% de aumento na taxa de mortalidade em relação a 2019. E, já é consenso, que isso ocorreu pela conjunção de fatores desencadeados pelo motim da Polícia Militar no estado, que desarranjou a cena local da criminalidade e as políticas públicas que estavam em curso e que faziam do estado um dos principais responsáveis pela redução da taxa nacional em 2018 e 2019.

Esse processo de desarranjo político das instituições cearenses deu margem para os planos de expansão do Comando Vermelho local, que iniciou uma ofensiva sobre os territórios dos Guardiões do Estado - seu maior rival local, e a violência, que estava contida, voltou".

No Ceará, segundo o FBSP, a taxa de mortes violentas intencionais ficou em 45,2 por 100 mil habitantes em 2020, o dobro da média brasileira, de 23,6 por 100 mil, que já é elevada, pois o índice do País é cinco vezes a média global e 30 vezes a mais do que os números da Europa.

Assim, por nenhum ângulo, o motim da PM pode ser visto como simples movimento reivindicatório, mesmo porque várias de suas exigências haviam sido atendidas pelo governo do Ceará.

Do ponto de vista político, foi um ataque inaceitável à ordem democrática; do ponto de vista prático, contribuiu para aumentar o número de homicídios e favoreceu o avanço de grupos criminosos. n

 

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Plínio Bortolotti

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