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Fernando Costa é sociólogo e publicitário

A pequena aldeia e seus pijamas patriotas

Tipo Opinião

A Aldeota, nascida sobre a pedra fundamental da sonegação e do contrabando (leiam ou releiam Aldeota, de Jader de Carvalho), continua fiel às suas origens sócio-políticas, resquícios da herança agrária dos valores da Casa-Grande e Senzala, quer seja alterando projetos urbanos pactuados em audiências públicas ou sendo o principal palco de ações fascistas de um grupelho de milicos de pijamas, viúvos da ditadura e pensionistas do dinheiro público.

Jesus, o protagonista do novo testamento, também conhecido como a segunda temporada da Bíblia, invadiu o templo para expulsar os vendilhões que lá se instalaram.

Na Aldeota, recentemente aconteceu o contrário, um templo foi invadido para que um padre fosse agredido verbalmente porque estava acusando o genocida de ser genocida.

Atacar o genocida desperta a ira dos fascistas, mas a morte de mais de meio milhão de brasileiros causada, em sua grande maioria, pelo atraso nas compras de vacinas e as evidentes tentativas de fraudes na compra da vacina Covaxin é, para eles, algo tão natural quanto as citações nazistas reproduzidas pelo filho do mito deles nas redes sociais.

O que os Pijamas Patriotas não percebem é que o líder deles, neste exato momento político, aplica um golpe no grupo militar que ainda está instalado no governo. Com a ajuda de Arthur Lira e Ciro Nogueira, escanteou, sem nenhuma cerimônia, Braga Neto e seus arroubos golpistas.

Bolsonaro quer a reeleição e sabe que não chegará a ela na ponta de baionetas enferrujadas. Nesta hora, o gabinete do ódio e os ministérios paralelos de Brasília sabem o que já sabiam FHC e Lula: só o Centrão salva.

Por não querer conversa com o Centrão, Dilma foi golpeada vilmente. Lira, para quem esqueceu, é aquele mesmo que há pouco tempo disse em alto e bom som que: "Bolsanaro todo mundo sabe que é um fascista", e que: "Lula foi o maior presidente do Brasil de todos os tempos, principalmente para o Nordeste."

Esse mesmo que na CPI da Covid faz o que Dr. Johannes Georg Faust fez com o diabo, só que não podendo vender o que não tem, vende o que lhe é possível: o futuro do Brasil às custas de 550.000 almas.

Não sou católico, aliás para desgosto de minha mãe tornei-me uma pessoa sem fé, mas estou ao lado do padre da igreja da Paz. Que ironia, uma igreja que se chama Paz, em guerra, como diria o pensador Paulo Sérgio Bessa Linhares: "que puta dissonância cognitiva. Mas isso é muito complexo para eles entenderem."

Ah, Aldeota, sempre a nos lembrar que o ideal não é o Ideal.

 

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