No Brasil atual, cada vez mais, se pensa e se analisa sobre os riscos do movimento nazista. De alvejar etnias como causa do nosso atraso e arquitetar o extermínio de negros, índios, mestiços, árabes, judeus? De inventar identidades regionais como causadora do atraso do País, como a nordestina?
De colocar nas comunidades LGBTQ a causa da degenerescência da família patriarcal branca? De construir um discurso sobre os movimentos sociais como causadores de problemas no meio rural e, por isso, mobilizar a perseguição, repressão e até assassinato de líderes e comunidades? Sim corremos esse risco.
No entanto, não é necessário que o nazismo exista para que todas essas questões sejam fatos. Elas estão enraizadas historicamente na cultura brasileira e existem independentes da existência ou não de um partido nazista. Por isso, o perigo não está exatamente nos grupelhos nazistas ou neonazistas, mas na mentalidade brasileira potencialmente receptora de um desejo de "solução final" autoritária como resposta para os problemas brasileiros.
Ela é retrógrada, com vontades estamentais, tem práticas classistas e racistas excludentes e segregadoras, intolerante com relação às maneiras de se praticar o sexo e os afetos e politicamente autoritária. É a antipatia ao extremo que se expressa através do assassinato de mendigos, de negros, de gays, de mulheres, de trabalhadores em meio a profundas desigualdades.
Portanto, existe uma "arquitetura da destruição" em curso no Brasil, não como exatamente como no filme dirigido por Peter Cohen: protagonizada por um líder, com as prerrogativas de Kaiser, se projetando na sociedade através de uma propaganda, uma estética e uma medicina cujo objetivo seria um Apartheid em escala planetária. A realidade e história entre a Alemanha e o Brasil são bem diferentes. Além do mais, por todos os cantos do país, aumenta o número de pessoas, dispositivos e de ações antifascistas que freiam o avanço dos nazistas ou das propagandas totalitárias. n