Logo O POVO+
Os riscos de se fazer apologia ao nazismo
Opinião

Os riscos de se fazer apologia ao nazismo

Edição Impressa
Tipo Notícia Por
Antonio de Pádua, professor do curso de História da Uece (Foto: DIVULGAÇÃO)
Foto: DIVULGAÇÃO Antonio de Pádua, professor do curso de História da Uece

No Brasil atual, cada vez mais, se pensa e se analisa sobre os riscos do movimento nazista. De alvejar etnias como causa do nosso atraso e arquitetar o extermínio de negros, índios, mestiços, árabes, judeus? De inventar identidades regionais como causadora do atraso do País, como a nordestina?

De colocar nas comunidades LGBTQ a causa da degenerescência da família patriarcal branca? De construir um discurso sobre os movimentos sociais como causadores de problemas no meio rural e, por isso, mobilizar a perseguição, repressão e até assassinato de líderes e comunidades? Sim corremos esse risco.

No entanto, não é necessário que o nazismo exista para que todas essas questões sejam fatos. Elas estão enraizadas historicamente na cultura brasileira e existem independentes da existência ou não de um partido nazista. Por isso, o perigo não está exatamente nos grupelhos nazistas ou neonazistas, mas na mentalidade brasileira potencialmente receptora de um desejo de "solução final" autoritária como resposta para os problemas brasileiros.

Ela é retrógrada, com vontades estamentais, tem práticas classistas e racistas excludentes e segregadoras, intolerante com relação às maneiras de se praticar o sexo e os afetos e politicamente autoritária. É a antipatia ao extremo que se expressa através do assassinato de mendigos, de negros, de gays, de mulheres, de trabalhadores em meio a profundas desigualdades.

Portanto, existe uma "arquitetura da destruição" em curso no Brasil, não como exatamente como no filme dirigido por Peter Cohen: protagonizada por um líder, com as prerrogativas de Kaiser, se projetando na sociedade através de uma propaganda, uma estética e uma medicina cujo objetivo seria um Apartheid em escala planetária. A realidade e história entre a Alemanha e o Brasil são bem diferentes. Além do mais, por todos os cantos do país, aumenta o número de pessoas, dispositivos e de ações antifascistas que freiam o avanço dos nazistas ou das propagandas totalitárias. n

O que você achou desse conteúdo?