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Opinião

Plínio Bortolotti: Farra dos pastores no MEC termina na cadeia

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Abro o notebook de manhã, em um ritual repetido diariamente para iniciar o trabalho, e dou de cara com a declaração do presidente Jair Bolsonaro, sobre a fábula da "corrupção zero" em seu governo.

Descobri logo que a mentira fora reprisada devido à notícia que a Polícia Federal (PF), por ordem da Justiça, estava no encalço do ex-ministro da Educação Milton Ribeiro, cuja captura já foi realizada. Como todos sabem Ribeiro é aquele pastor que prefere a companhia de uma pistola em vez da Bíblia, como se esperaria de um crente.

Me pergunto, então, imediatamente, se o rosto de sua excelência o presidente da República estaria muito avariado pois, há pouco tempo, disse que "botaria a cara no fogo" para de atestar a honestidade de seu ex-subordinado.

Mas, pelo jeito, o pastor vai ficar na chuva, pois Bolsonaro deu marcha à ré em sua fé na honestidade do amigo, deixando-o ao desabrigo: "Se a PF prendeu, tem um motivo". (Rimei de propósito, pois o negócio é tragicômico.)

O motivo pode estar em uma diretriz determinada pelo presidente ao Ministério da Educação (MEC). Segundo palavras do próprio Ribeiro, quando era titular da pasta: "A minha prioridade é atender primeiro (com recursos) os municípios que mais precisam, em segundo, atender todos os que são amigos do pastor Gilmar (...) Por que ele? Porque foi um pedido especial que o presidente da República fez para mim".

A partir daí, descobriu-se verdadeira farra dos pastores no MEC, com os mais chegados ao então ministro achacando abertamente prefeitos, com pedidos insólitos, como patrocinar a impressão de bíblias com a fotografia de Ribeiro, e cobrança de propinas em barras de ouro. O administrador que se recusasse a participar das negociatas ficava sem recursos para o seu município e fora da liberação de verbas do Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação (FNDE).

Ou seja, esses "homens de bem", que regurgitam "Deus acima de todos", estavam pouco se lixando para o destino das crianças que dependem dessas verbas. Hipócritas, fariseus.

O MEC foi apenas mais uma das instituições destruídas por Bolsonaro. Basta conferir a lista tétrica dos cinco titulares que já passaram pela pasta.

 

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Plínio Bortolotti

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