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José Graziano da Silva: A fome não pode esperar
Opinião

José Graziano da Silva: A fome não pode esperar

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José Graziano da Silva (Foto: divulgação)
Foto: divulgação José Graziano da Silva

Estamos na semana em que se comemora o Dia Mundial da Alimentação, 16 de outubro, quando todo o mundo deveria estar celebrando a erradicação da fome e o fim da insegurança alimentar. Mas, infelizmente, as notícias não são as que gostaríamos de dar.

Entristece saber que o mundo produz quantidade de alimentos suficientes para suprir toda a população, mas não lhes permite ter acesso ao que é produzido. Mais triste ainda é ver que a fome e a sede estão sendo usadas como arma de guerra, a exemplo do que ocorre agora com o insano combate entre Israel e Palestina.

A desigualdade social e econômica e a desproporção entre a pobreza extrema e riqueza extrema trazem consigo talvez o maior dos problemas: a distopia, que tem servido para ampliar o fosso entre os que comem e os que nada comem.

O Brasil não foge à essa desumana regra. Estávamos até caminhando bem. Com a adoção de políticas públicas eficazes direcionadas à população mais pobre, o país tornou-se referência mundial no combate à fome até que, em 2014, saiu do Mapa da Fome da Organização das Nações Unidas para a Alimentação e Agricultura (FAO). Mas voltou a figurar no mesmo mapa cinco anos depois, quando a situação foi agravada pela pandemia e pelo desmonte das políticas públicas de combate à fome pelos governos anteriores. Hoje, são mais de 70 milhões de brasileiros vivendo em situação de insegurança alimentar grave ou moderada, dos quais cerca de 20 milhões estão, literalmente, sem comer o necessário para sobreviver. Essa nada honrosa condição precisa ser urgentemente revertida.

E já está sendo. A fome não espera. Políticas como o fortalecimento do salário mínimo, geração de empregos formais, transferência de renda e o apoio aos pequenos produtores e aos programas de alimentação escolar e aquisição de alimentos da agricultura familiar já foram retomados e estão sendo revigorados e fortalecidos. Podemos tirar o Brasil do Mapa da Fome e mostrar novamente ao mundo que é possível erradicar a fome no planeta.

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