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A decisão será política
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A decisão será política

A inteligência artificial vai mpliar a concentração de renda, desvalorizando o trabalho e fortalecendo o capital
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José Vital. Publicitário na Agência TEIA DIGITAL. (Foto: Arquivo Pessoal)
Foto: Arquivo Pessoal José Vital. Publicitário na Agência TEIA DIGITAL.

Qual o programa de Inteligência Artificial (IA) que é mais rápido, preciso, eficiente e barato? ChatGPT4, DeepSeek, Grok, Microsoft Copilot, Alibaba, Mistral, Gemini Google, Zapier ou qual?  Talvez não seja a que era ontem. E nem a que será amanhã.

Os avanços da inteligência artificial nos surpreendem e desorientam. Uma ferramenta de IA da Google resolveu em dois dias o que microbiologistas levaram 10 anos para resolver. O POVO nos informou em fevereiro que 173 prisões de membros de facções criminosas no Ceará foram realizadas com uso de programas de IA.

Ao mesmo tempo constatamos a precarização do trabalho e a demissão de operadores de caixa, comerciários, bancários, contadores, advogados, gerentes financeiros. Os riscos de desemprego em massa, perda de privacidade, desinformação, criação de armas autônomas e a própria dependência da inteligência artificial indicam que precisamos nos antecipar.

Historiadores e economistas como  Ladislau Dowbor destacam que as decisões políticas sempre estão atrasadas frente ao desenvolvimento tecnológico. As IAs vão ampliar a concentração de renda, desvalorizando o trabalho e fortalecendo o capital. A redução de arrecadações tributárias vai enfraquecer a capacidade dos governos para atender demandas sociais. O trabalho pouco qualificado será ainda mais precarizado e dispensável. E países ricos concentrarão ainda mais poder financeiro, ameaçando a soberania da grande maioria das Nações.

Nossa prioridade deve se orientar pela soberania nacional, para evitar o empobrecimento e resgatar a justiça social. Pela dignidade profissional necessitamos reduzir a semana de trabalho, sem redução salarial. Inevitavelmente os governos e parlamentos precisam encontrar caminhos para a implantação da Renda Básica Universal.E a própria soberania nacional, frente ao novo colonialismo de dados, deverá regulamentar as condições de uso das inteligências artificiais, valorizar e reforçar patrimônios públicos como o Serpro, Dataprev e Etice.

Precisamos mobilizações sociais exigindo decisões políticas consistentes e ousadas do Congresso Nacional, governos federal e estaduais, das lideranças sociais, sindicais e partidárias. É na política que nosso presente e futuro serão decididos.

 

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