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Rafael Santana: MC Poze e a festa junina!
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Opinião

Rafael Santana: MC Poze e a festa junina!

Querem falar de criminalidade? Comecem falando das falhas de um país com seu próprio povo. "São 500 anos de história, nenhum investimento na comunidade, e seguimos resistindo", afirmou um dos moradores de Santo Amaro
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Rafael Santana

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"Por que estão fazendo isso comigo, por que sou preto e favelado?", "Me deixem em paz. Sou trabalhador e artista". Essas foram algumas das falas de Marlon Brendon, cantor e compositor, conhecido como MC Poze, após ser solto da prisão no último dia 3.

Recebido por uma multidão que estava indignada pela forma como o artista tinha sido conduzido ao local -- algemado, sem camisa e cercado de policiais, revelando o racismo estrutural em sua pura essência -- Poze vestia uma camisa branca com a palavra "Liberdade" na parte de trás.

Porém, a celebração foi marcada por spray de pimenta e tiro de borracha. A desculpa? "Estavam gerando tumulto". Essa foi a mesma desculpa usada para tirar a vida do jovem trabalhador Herus Guimarães, de 24 anos, morto pelas mãos da Polícia Militar durante uma abordagem na Festa Junina Comunitária do Morro Santo Amaro, três dias após a soltura do artista.

Em meio às balas, crianças e adolescentes se encontravam no local. "Já matam a gente sem educação e agora querem matar a gente sem cultura", disse um dos moradores durante um protesto contra o ocorrido na manhã seguinte. O estado segue o mesmo, matando e criminalizando corpos negros e favelados. A mídia? Segue criando narrativas que alimentam esse imaginário. E isso não é o mesmo aplicado a pessoas brancas, que até mesmo condenadas e revidando a polícia, seguem para a delegacia sorrindo.

Herus? Perdeu a vida. Mais uma família destruída, e Fortaleza também é palco disso todo dia. Querem falar de criminalidade? Comecem falando das falhas de um país com seu próprio povo. "São 500 anos de história, nenhum investimento na comunidade, e seguimos resistindo", afirmou um dos moradores de Santo Amaro.

E finalizo aqui, destacando o verdadeiro culpado e deixando clara uma única mensagem: seguimos na luta, dia após dia, seja através da nossa própria cultura ou pela educação, direcionando os nossos a seguir um caminho repleto de obstáculos propositais, mas que quando alcançados, devolvem isso para a sua comunidade. Isso é união, e Poze faz isso com a música, por isso ele vai seguir sendo alvo do Estado.

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