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Jayme Leitão: Plano Diretor: uma janela para o turismo em Fortaleza
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Opinião

Jayme Leitão: Plano Diretor: uma janela para o turismo em Fortaleza

O novo Plano Diretor deve abrir caminhos para o futuro, viabilizando empreendimentos de unidades compactas voltadas à hospedagem por aplicativos, que já impulsionam o turismo mundo afora
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Jayme Leitão

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Com toda a celeuma em torno do novo Plano Diretor, a população não faz ideia de como ele pode alterar sua vida, para melhor ou pior. Como o tema é vasto, alertemos para um ponto crítico: o turismo. Fortaleza perdeu a maior parte do turismo de maior poder aquisitivo, que hoje vai do aeroporto diretamente para as praias, em busca da natureza e do kite, sem o risco da violência urbana. O resultado: resorts são construídos no litoral cearense com a mesma velocidade em que os hotéis da Beira Mar são demolidos.

E a causa não é a especulação imobiliária, mas a inviabilidade econômica, já que o baixo valor das diárias absorvidas pelo público que ainda vem a Fortaleza não cobre custos de manutenção, IPTU alto, mão de obra e encargos – e muito menos remunera o capital empatado. O empresário não fecha as contas e se rende ao óbvio: pelo alto valor dos terrenos, é melhor vendê-los e aplicar uma fração num resort no litoral - com investimento muito menor, diárias 3 ou 4 vezes mais altas e sem o ônus do IPTU, com isenção incentivada.

Pois é nesse quadro que o Plano Diretor vem coibir a construção de novos prédios na região da orla de Fortaleza, reduzindo os índices de construção para 2/3 e aumentando em 50% o custo de outorga. Num equívoco já bastante amenizado por emendas na Câmara Municipal, o projeto inicial parecia entender que, barrando novas construções, estancaria o esvaziamento da malha hoteleira – mas é o contrário!

No mesmo terreno em que hoje se demole o Hotel Seara será erguida uma torre com mais de 500 apartamentos compactos com serviços e área de 30m², unidades que vão ajudar a recompor a malha hoteleira perdida através do AirBnb.

O setor imobiliário, na próxima década, pode perfeitamente viabilizar 4 ou 5 mil unidades compactas nessa região, num investimento pulverizado de investidores que não terão a mesma realidade de custos que um investimento massivo num único hotel. Cabe corrigir o rumo e reencontrar o equilíbrio entre preservação urbanística e desenvolvimento econômico. Congelar projetos na Beira Mar é paralisar a principal vitrine turística da cidade.

O novo Plano Diretor deve abrir caminhos para o futuro, viabilizando empreendimentos de unidades compactas voltadas à hospedagem por aplicativos, que já impulsionam o turismo mundo afora. O município tem agora a oportunidade histórica de reconstruir a vocação turística de Fortaleza fortalecendo a sua maior indústria, gerando emprego e renda - do taxista ao humorista cearense.

Acreditamos que o prefeito Evandro Leitão compreendeu a urgência e abraçará a causa das unidades compactas como solução inteligente e sustentável para revitalizar o turismo em Fortaleza. É hora de transformar o desafio em prosperidade e fazer do Plano Diretor a semente de uma cidade viva, acolhedora e equilibrada!

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