Professor de Filosofia da Universidade Federal do Ceará (UFC)
Professor de Filosofia da Universidade Federal do Ceará (UFC)
É fundamental perceber que, no século XXI, a crise ecológica_ sobretudo a mudança climática_ se tornou uma questão social e política decisiva para o planeta e para a humanidade, pois está em jogo a própria sobrevivência de qualquer vida no planeta. Por isso, os cenários acerca do futuro da terra são dramáticos. Essa foi a problemática de fundo da COP30.
A partir da grande revolução industrial da Modernidade, a terra vem sendo sistematicamente devastada. De 1972 em diante, através da desertificação, perderam-se 480 milhões de toneladas de solo fértil. Além disso, 65% das terras outrora cultivadas não o são mais, Nos últimos 30 anos, no Brasil, foram derrubados 600 mil km2 da floresta amazônica.
A crise ecológica, que é uma crise civilizacional, tem sua expressão mais ameaçadora no fenômeno do aquecimento global, fruto da acumulação de gases de efeito estufa_ sobretudo o dióxido de carbono_ jogados na atmosfera pela queima de combustíveis fósseis, como petróleo e carvão.
Em 2024, um relatório da Organização Meteorológica Mundial registrou a maior concentração de dióxido de carbono na atmosfera desde o início das medições em 1957. A meta de limitar o aquecimento global a 1,5 C até fim do século, como foi decidido no Acordo de Paris, já é coisa considerada inatingível pela comunidade científica.
O processo de mudança climática é, assim, um desafio inédito para a humanidade. Para compreendermos sua urgência, uma pergunta é fundamental: que acontecerá se a temperatura subir além dos 2 C? As pesquisas já existentes nos dão informações: elevação do nível dos mares com o risco de submersão de boa parte das cidades marítimas construídas pela civilização humana_ Amsterdã, Veneza, Nova Iorque, Fortaleza? _, desertificação em escala gigantesca, falta de água potável, catástrofes "naturais" como furacões, inundações, secas violentas etc., derretimento dos gelos polares, nevascas violentas.
Hoje, cada vez mais, pesticidas entram na cadeia alimentar e lesam a saúde dos seres vivos e das gerações futuras. O lixo nuclear é extremamente perigoso, minipartículas de plástico penetram no corpo humano. Muitas substâncias permanecem radioativas pelos próximos 100.000 anos.
Corremos o risco de que grupos terroristas tenham acesso às tecnologias das bombas e ponham a humanidade e a terra em situação de xeque-mate. Não podemos esquecer que a destruição da camada de ozônio é um grande risco para a vida do planeta.
Há aqui um problema de fundo que nunca é tematizado nesses debates, como ocorreu na COP30: a lógica do sistema econômico vigente é fundamentalmente produzir acumulação, o que se faz através de exploração da força de trabalho das pessoas, da dominação das classes, da submissão dos povos e, por fim, da pilhagem sistemática da natureza, na forma atual_ tudo isso feito numa dimensão planetária (globalização) e numa perspectiva neoliberal.
Daí a conclusão de muitos cientistas que analisam essa problemática: há uma contradição básica entre a lógica do capital e a lógica da ecologia. Daí a palavra forte de M. Löwy: " Sua lógica [do capital] intrinsecamente perversa conduz inevitavelmente à ruptura do equilíbrio ecológico e à destruição dos ecossistemas".
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