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Capitão Wagner: Um ano para não esquecer
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Opinião

Capitão Wagner: Um ano para não esquecer

o Ceará assistiu ao avanço claro de um poder paralelo. Facções passaram a controlar bairros, impor regras, cobrar pedágios, vigiar moradores e decidir quem pode circular, morar ou trabalhar
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Capitão Wagner

Articulista

2025 não pode ser tratado como um ano qualquer. Não pode, sequer, ser esquecido, porque esquecer seria aceitar a catástrofe que foi. E aceitar, no Ceará de hoje, significa fechar os olhos para uma tragédia anunciada. Significa a continuidade do colapso, do medo, da violência.

Não há como apagar da memória mais de 3 mil mortes violentas em um único ano. Não há como normalizar o fato de mais de 2 mil famílias terem sido expulsas de suas casas, obrigadas a sair às pressas, deixando para trás trabalho, escola, história e dignidade, simplesmente porque facções assim determinaram. Isso não é uma crise momentânea. É falência do Estado.

Ao longo de 2025, o Ceará assistiu ao avanço claro de um poder paralelo. O povo viu o Ceará se transformar num “Narcoestado”. Facções passaram a controlar bairros, impor regras, cobrar pedágios, vigiar moradores e decidir quem pode circular, morar ou trabalhar. Comerciantes foram extorquidos. Comunidades inteiras viveram sob ameaça constante. Crianças conviveram com tiros como parte da rotina. E, enquanto isso, o governador Elamano, do PT, escolheu negar o tamanho do problema.

Faltou comando, faltou estratégia e sobrou improviso (ou seria conivência?). A polícia enfrentou facções cada vez mais armadas sem estrutura adequada, sem viaturas suficientes, sem respaldo político. Em muitos lugares, o crime passou a vigiar o Estado, quando deveria ser o contrário. O governador Elmano preferiu investir em slogans e ações simbólicas e infundadas, como pintar muros, enquanto o controle territorial escorria por entre seus dedos.

O resultado foi um ano marcado por chacinas, assassinatos brutais, escolas fechadas, medo constante e uma sensação generalizada de abandono. Em 2025, o cearense aprendeu da pior forma que o crime organizado não encontra resistência quando o governo é fraco e conivente. Aprendeu também que, quando o Estado se omite, quem paga a conta é o povo. E, mais, o ano de 2025 confirmou o perigoso envolvimento de políticos com o crime organizado.

Não esquecer este ano é uma obrigação moral. Não por vingança ou politicagem barata, mas por mudança. Governos só reagem quando são confrontados com a realidade, não quando ela é maquiada. E esse tem sido um dos problemas dos governos do PT: maquiar o cenário, fechar os olhos para a realidade. Se 2025 for esquecido, 2026 será apenas a continuação do mesmo erro.

O Ceará merece mais do que discursos. Merece ação, firmeza e responsabilidade. Um ano com tantas mortes, tanto medo e tanta omissão não pode virar página como se nada tivesse acontecido. 2025 precisa ficar marcado como o ano que expôs o fundo do poço. Porque só lembrando é que se muda. E 2026 é o ano da mudança .

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