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Dulce Lucena: Saúde Mental no trabalho em doses cotidianas
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Opinião

Dulce Lucena: Saúde Mental no trabalho em doses cotidianas

Investir em saúde mental vai além de atividades pontuais. É necessário avaliar as relações interpessoais. Cada pessoa deve refletir sobre como trata os outros, pois o bem-estar no ambiente corporativo requer diálogo, acolhimento e respeito mútuo
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Dulce Lucena

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As instituições estão cada vez mais preocupadas com a saúde mental de suas equipes, investindo em ações voltadas à qualidade de vida no trabalho, como ginástica laboral, meditação, espaços de descompressão e atendimentos psicossociais. São iniciativas essenciais, que proporcionam momentos em que as pessoas se desconectam da rotina para sentir seus corpos e reconhecer emoções, contribuindo para um maior equilíbrio biopsicossocial.

Contudo, investir em saúde mental vai além de atividades pontuais. É necessário avaliar as relações interpessoais. Cada pessoa deve refletir sobre como trata os outros e o impacto de suas palavras e atitudes, pois o bem-estar no ambiente corporativo requer diálogo, acolhimento e respeito mútuo.

A saúde mental no trabalho reflete os gestos cotidianos e depende de comportamentos colaborativos: um "bom dia" caloroso, o "obrigado" sincero e, principalmente, a segurança psicológica, que traduz a liberdade de cada um expressar opinião e ser quem realmente é.

Comportamentos que agregam as pessoas em torno de algo significativo são as verdadeiras doses diárias para a saúde mental nas instituições. Isso não depende de grandes orçamentos, mas sim do compromisso coletivo com a prática do respeito, da confiança e da aceitação da diversidade.

Parece simples, mas não é. Na pressa das agendas de trabalho, na concorrência e na indiferença, cuidar da relação com o outro parece dispensável. É uma contradição alguém dizer que saúde é prioridade e não perceber o quanto suas atitudes podem tornar o dia mais exaustivo, o ambiente tóxico e adoecedor.

Há quem acredita que não existe satisfação no trabalho, basta tolerar, "sobreviver" e ter uma válvula de escape: um esporte ou hobby para descarregar o estresse. Vale cantar para espantar os males, correr maratonas para sentir o coração bater forte, buscar o abraço negado em uma aula de dança ou até aprender a defesa pessoal no karatê.

E assim, fofocas se perpetuam, intrigas atrapalham a convivência, preconceitos e assédios se multiplicam onde enxergar e escutar o outro parece irrelevante. Até quando a saúde mental no trabalho vai ser programas feitos por terceiros? Talvez até que cada um se comprometa a exercitar o respeito, a cooperação e a empatia, atitudes de quem sabe cuidar do bem-estar individual e coletivo.

 

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