O lixo em Fortaleza parece ser algo inadministrável. Mais de um milhão de toneladas são produzidas por ano na cidade, e boa parte disso não vai para os ecopontos ou para o Aterro Sanitário de Caucaia, mas, sim, para as ruas. Assim, na cidade, o lixo nunca sai de pauta. Vira e mexe, ele emerge nas campanhas, como no ano passado, por causa da "taxa de lixo" ou Taxa de Manejo de Resíduos Sólidos Urbanos (TMRSU), que foi extinta pela atual gestão do PT.
Como havia consenso entre os vereadores, a "taxa de lixo" foi rapidamente revogada. Mas é bom lembrar que a taxa não trouxe mudanças, porque o lixo continuou se destacando na paisagem urbana, assustando, além dos turistas, nós moradores. E, hoje, não temos como contrapartida da Prefeitura uma coleta adequada mesmo sem a taxa - isto é, livrar Fortaleza das montanhas de plástico, papel e madeira que se acumulam em suas vias e calçadas.
Por que isso acontece? A questão é complexa e envolve muitos fatores. Dentre eles, os principais são vontade política e educação. No passado, em vez de vontade, houve tensão entre o governador Tasso Jereissati e a prefeita Maria Luiza em torno do lixo. Maria Luiza afirma que os empresários, ligados ao governador, sujavam a cidade para boicotar a sua gestão (1986-1989).
Já Tasso diz que o boicote a Maria Luiza é uma lenda. Atualmente, além de Tasso defender "a taxa de lixo", porque para ele é necessária, não há boicote nem lenda, mas sintonia entre o prefeito e o governador - a começar, são do mesmo partido, e assim o prefeito garante que vai enfrentar a problemática do lixo, porém tudo indica que as ações de limpeza criadas não vão transformar essa realidade.
O problema se mantém, para a infelicidade de todos que vivem em Fortaleza. Quem anda ou trafega nas avenidas Domingos Olímpio, Coronel Carvalho, Frei Cirilo etc., tem a sensação de que, na capital do Ceará, não há serviço de limpeza urbana.
Como solução, a prefeitura precisa focar no lixo, implantar, de forma efetiva, a educação ambiental nas escolas, como determina a Política Nacional de Educação Ambiental (Lei 9.795/1999), e fazer a limpeza nas ruas de forma regular, seja espalhando lixeiras pela cidade (há pouquíssimas), seja fazendo campanhas de conscientização. Os moradores também devem evitar o descarte irregular de resíduos.
Assim, eles terão o bem-estar de viver numa cidade limpa. Os turistas construirão uma visão positiva sobre a cidade de Fortaleza. E Evandro Leitão entrará para história, como o prefeito que resolveu, de fato, a questão do lixo!