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Renata Marinho Paz: Festas de réveillon, religião e política
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Opinião

Renata Marinho Paz: Festas de réveillon, religião e política

Frei Gilson e o pastor André Valadão, cada um a seu modo, agenciam um discurso marcado pelo conservantismo moral; Além disso, ambos apresentam um alinhamento político com a extrema direita
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Renata Marinho Paz

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Diversas igrejas evangélicas realizam celebrações na passagem para o ano novo. São momentos tradicionais de louvor, pregação da palavra e comunhão, que mobilizam e reúnem os fiéis. Além destes cultos, outros eventos têm se destacado, como os grandes shows organizados no último dia 31 em diversas cidades brasileiras, como o Viradão das Nações, em Fortaleza.

No âmbito nacional, a Virada Cristã merece destaque. Promovida pela Igreja Batista da Lagoinha, liderada pelo pastor André Valadão, foi realizada simultaneamente nas cidades de São Paulo, Belo Horizonte e Orlando, nos Estados Unidos, e transmitido ao vivo pela TV aberta e por plataforma de streaming, abrangendo um público de milhares de pessoas.

Mas a Igreja Católica também marcou seu espaço nas grandes festividades de fim de ano: em São Paulo, duas figuras de proa do catolicismo, Frei Gilson e padre Marcelo Rossi, foram atrações no réveillon da Paulista - que não contou com representantes de outras matrizes religiosas.

Gilson e Valadão, cada um a seu modo, agenciam um discurso marcado pelo conservantismo moral, especialmente no que diz respeito a questões de gênero e sexualidade - em diferentes níveis, aspectos como "ideologia de gênero", misoginia e lgbtfobia são pontuados em suas falas. Além disso, ambos apresentam um alinhamento político com a extrema direita.

Assim, essas celebrações não são apenas ocasiões para festejar o início de um novo ciclo. Além de espaços de sociabilidade, criação de memórias e identidades, trocas econômicas e políticas, também são oportunidades para a disseminação de ideias, valores e posicionamentos. Portanto, é fundamental reconhecer seus impactos na esfera política, considerando que estamos em um ano de eleições e imersos em um contexto de polarização política.

Por fim, um adendo: em relação ao catolicismo, mais uma vez é preciso questionar a persistência da naturalização do emprego de recursos públicos para a promoção de tais iniciativas.

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