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Maduro caiu. E agora? Delcy e os sinais de Trump
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Opinião

Maduro caiu. E agora? Delcy e os sinais de Trump

Nesses dias subsequentes à queda de Nicolás Maduro, a Venezuela segue sob o governo do mesmo regime, agora tutelado por Washington, enquanto a narrativa anti-narcotráfico passa a se direcionar para Gustavo Petro, na Colômbia, e para o regime cubano
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Roberto Georg Uebel. Professor de Relações Internacionais (ESPM) e coordenador do Núcleo de Estudos e Negócios Americanos (Nenam). (Foto: Arquivo Pessoal)
Foto: Arquivo Pessoal Roberto Georg Uebel. Professor de Relações Internacionais (ESPM) e coordenador do Núcleo de Estudos e Negócios Americanos (Nenam).

Passadas as primeiras 72 horas após a deposição do ditador Nicolás Maduro pelas forças norte-americanas e a consequente violação da soberania territorial do Estado venezuelano, duas questões merecem uma reflexão mais profunda, a qual poderá levar algumas semanas para nos dar um cenário mais claro.

A primeira é o descarte de nomes importantes da oposição venezuelana, como Leopoldo López, Juan Guaidó, Maria Corina Machado e Edmundo González, pelo governo Trump para liderar um eventual processo de transição na Venezuela. O nome escolhido foi justamente o da agora presidente em exercício, Delcy Rodríguez: vice de Maduro, chavista clássica e, acima de tudo, diplomata e negociadora.

Delcy já foi empossada pela Suprema Corte da Venezuela, reconhecida pelos militares como Comandante-em-chefe e está em diálogo com o secretário de Estado norte-americano, Marco Rubio, para conduzir o governo venezuelano até um processo eleitoral - sabe-se lá quando este irá acontecer. Não seria surpreendente se Rodríguez fosse a candidata governista em uma eventual eleição, pois tem a simpatia do partido, dos militares e de parte da população, além de contar com o respaldo de Washington até o momento. O resto é especulação.

Outra questão que merece atenção é o papel da Rússia e da China, que emitiram notas e protestos diplomáticos em defesa da soberania venezuelana, assim como o fizeram desde a extrema-direita francesa até a Comissão Europeia. Dificilmente veremos Putin ou Xi Jinping liderarem qualquer tipo de movimento em defesa da libertação de Maduro por um longo tempo, sobretudo após o seu julgamento na corte de Nova York, na segunda-feira, dia 5 de janeiro; afinal, o petróleo venezuelano, que agora será controlado pelos Estados Unidos e empresas como Chevron e ExxonMobil, fluirá também para estes dois países, conforme a própria declaração de Trump.

Uma hipótese a ser confirmada, mas com boas evidências, é a de que o encontro de Maduro com emissários do governo chinês, poucas horas antes da invasão norte-americana, não foi apenas para tratar de cooperação estratégica, mas sim para ofertar a Maduro um último salvo-conduto, além de mostrar para o mundo onde estava o líder venezuelano, conforme as postagens em suas redes sociais.

Por fim, nesses dias subsequentes à queda de Nicolás Maduro, a Venezuela segue sob o governo do mesmo regime, agora tutelado por Washington, enquanto a narrativa anti-narcotráfico passa a se direcionar para Gustavo Petro, na Colômbia, e para o regime cubano, os próximos dois prováveis alvos de Trump em sua doutrina de segurança nacional e de consolidação da hegemonia norte-americana nas Américas e no Atlântico. As terras raras poderão ser o próximo objetivo.

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