No sertão do Ceará encantado,
Ubajara é terra de glória e luz,
Tem histórias de um tempo passado,
Onde o povo forte fincou sua cruz.
Chamava-se antes Lagoa do Jacaré,
Por águas tranquilas que ali existiam,
Mas em mil novecentos e quinze, se vê,
Que novas raízes ali nasciam.
Os Tabajaras chegaram primeiro,
Filhos da mata, da paz e do chão,
Depois vieram os do mundo estrangeiro,
Com espada na mão e oração.
Em mil seiscentos e quatro chegou,
A tropa lusitana de olhar frio,
O destino da terra então se moldou,
Como pedra esculpida por rio.
Na gruta escondida no meio da serra,
Fala o povo com muita emoção,
Que um cacique fugindo da guerra,
Até se abrigou com o coração.
Veio do mar num silêncio profundo,
Remando em sua canoa valente,
Fez da caverna seu novo mundo,
Refúgio de alma e de corpo doente.
"Ubajara", palavra de força e cor,
Quer dizer "Senhor da Canoa",
Nome de honra, de raça e de amor,
Que na boca do povo ecoa.
A gruta é um templo da natureza,
Com formas que o tempo desenhou,
Estalactite que brilha em beleza,
E o chão com estalagmite brotou.
Buscaram minérios, riqueza escondida,
Os homens da coroa de Portugal,
Mas acharam só pedra e a serra erguida,
Com silêncio profundo e beleza sem igual.
Hoje o parque guarda essa história,
Com trilhas, lembranças e encantamento,
Protege a cultura, a fauna e a memória,
Do povo, da lenda, do tempo e do vento.
Ubajara é canto de raiz sertaneja,
É lenda, é vida, é chão que seduz,
É onde a história ainda se deseja,
E o presente caminha com fé e luz.
Por tudo que a serra com fé nos conduz,
E a gruta encantada em silêncio revela,
Ubajara resplandece sob a luz,
Com beleza que a alma consola e zela.