Logo O POVO+
João Aglaylson: Cultura e Tarifa Zero: habitar o tempo, ocupar a cidade
Comentar
Opinião

João Aglaylson: Cultura e Tarifa Zero: habitar o tempo, ocupar a cidade

Tratar o transporte coletivo como direito social, financiado por políticas públicas, e não como mercadoria que pesa no bolso da população, é condição para que a cultura chegue a todos, não apenas a quem pode pagar
Edição Impressa
Tipo Notícia Por
Comentar
João Aglaylson. Vereador (PT). (Foto: Acervo Pessoal)
Foto: Acervo Pessoal João Aglaylson. Vereador (PT).

Cultura é tudo aquilo que nos permite habitar o tempo: reconhecer quem fomos, compreender quem somos e imaginar o que ainda podemos ser. Ela nos oferece critérios para construir noções de justiça social, convivência, beleza e sentido. Nasce na rua, nos terreiros, nas praças, nas escolas e nas periferias. Vive nos mestres da tradição, nos coletivos culturais, nos povos negros e indígenas e na política do cotidiano, muitas vezes invisível e quase sempre resistente. Cultura é uma prática comunitária e compartilhada.

Em Fortaleza, a descentralização dos grandes eventos deixou de ser promessa e se consolidou como política pública estruturante. O Carnaval de 2026 é um exemplo dessa virada: 25 palcos distribuídos pelas 12 Regionais, levando música, tradição e encontro para onde o povo está. É a cidade inteira em cena, reconhecendo sua diversidade e rompendo com a lógica de elitização da cultura.

É nesse ponto que o debate sobre a Tarifa Zero ganha centralidade. Garantir o direito de ir e vir é enfrentar desigualdades históricas. Tratar o transporte coletivo como direito social, financiado por políticas públicas, e não como mercadoria que pesa no bolso da população, é condição para que a cultura chegue a todos, não apenas a quem pode pagar.

Nosso mandato, em diálogo permanente com a Empresa de Transporte Urbano de Fortaleza (Etufor) e a Prefeitura, atua para que a capital cearense seja escolhida como projeto-piloto nacional da Tarifa Zero. Estudos mostram que esse caminho é possível. Experiências da Região Metropolitana reforçam esse diagnóstico. Caucaia e Maracanaú já adotam modelos de gratuidade ou catraca livre, com impactos positivos diretos na vida econômica, no comércio local e na circulação urbana. Quando o transporte deixa de ser obstáculo, a cidade se abre em possibilidades.

Uma democracia também se mede pela liberdade do seu povo de ocupar os espaços públicos e escrever a própria história. É por isso que Tarifa Zero e cultura caminham juntas. Romper com a lógica que transforma mobilidade urbana e acesso à cultura em privilégios é afirmar, na prática, que a cidade pertence ao povo.

O que você achou desse conteúdo?