Em muitas escolas, diante de um comportamento inadequado, a resposta institucional ainda é recorrer à suspensão, uma medida disciplinar escolar historicamente usada para lidar com erros e conflitos. Afastar o aluno, retirá-lo do ambiente educativo e silenciar o problema é, para muitos, sinônimo de “disciplinar”. No entanto, se olharmos de perto, a suspensão pouco ensina. Não desenvolve consciência, não desperta responsabilidade e não ajuda a criança a compreender as consequências de suas escolhas. Apenas interrompe um problema sem transformá-lo.
A educação contemporânea exige outra lógica. Disciplina não pode ser confundida com punição, porque punir é reagir ao erro; educar é transformar o erro em aprendizagem. E transformar exige presença, diálogo e intencionalidade.
Por isso, iniciativas como as Políticas de Integridade Acadêmica representam uma mudança necessária para o futuro. Essa abordagem propõe um processo transparente, educativo e intencional, no qual as consequências são reais, acompanhadas e formativas. Em vez de afastar o aluno, a escola o mantém no espaço educativo, orientado por professores, inserido em atividades que exigem reparação, reflexão e construção de sentido.
Quando uma criança permanece na escola para cumprir uma consequência, em horário estendido, orientada passo a passo, ela vive aquilo que a realidade também exige: responsabilidade. Não se trata de “passar a mão” no erro, mas de tratá-lo como um ponto de partida para o desenvolvimento socioemocional.
Crianças que entendem consequências se tornam adultos mais preparados para a vida. Aprendem que ações geram efeitos; que arrependimento sem mudança é incompleto; e que reparar significa agir, não apenas pedir desculpas. Com isso, constroem repertório emocional para lidar com conflitos, limites e frustrações, competências fundamentais para o século XXI.
O desafio maior é que esse modelo demanda coragem. É mais simples suspender do que acompanhar. É mais fácil punir do que educar. Exige tempo, formação docente, acolhimento e um pacto claro com as famílias. Mas o resultado justifica o esforço: jovens que entendem seus erros dentro de um contexto de apoio crescem com mais autonomia e segurança. Barbara Porro, psicóloga de diretora comercial da TreeHouse.