Ah, o amor...Ele pode ser motivado por desejos básicos, fantasias e filosofias de vida...O amor pode ser eterno, mas na realidade humana é difícil alcançar um amor pleno e verdadeiro.
Não se pode explicar por que amamos algo ou alguém que não é amável. Mas podemos ponderar sobre a existência do amor, esse sentimento complexo e multifacetado e cheio de mistérios e surpresas.
Na biologia evolutiva, o amor existe porque favorece a sobrevivência da espécie. A atração entre indivíduos fortalece laços, garante cuidado mútuo e aumenta a chance de que os filhos sobrevivam e se desenvolvam.
Na psicanálise, o amor é um deslocamento de desejos inconscientes, uma tentativa de reparar faltas primordiais. Amamos no outro o que nos falta, o que nos completa ou até o que desejamos reencontrar de nossa infância. Freud dizia que amar é colocar o outro como ideal do eu. Lacan, por sua vez, via o amor como um "dar o que não se tem a alguém que não o quer". Eu já digo que amar é "dar tudo o que não se tem para quem não quer receber".
Na filosofia, o amor é muitas vezes visto como busca do infinito no finito. Platão, no livro O Banquete, fala do amor como desejo do belo e do eterno — um impulso ascensional, que começa no corpo e termina na contemplação da verdade. Já para Nietzsche, aquele que fala que o amor não é uma relação carnal registrada, mas sim uma força criadora que transcende as relações sociais, mas também trágica: amamos porque somos frágeis, e o amor é uma forma de dar sentido ao absurdo da existência.
Na experiência cotidiana, o amor talvez exista porque a vida sem ele parece insuportável e sem sentido. É a experiência que nos lança no risco, no abismo do medo, que abre espaços dentro da vida comum, que apaga um pouco a sensação de temporalidade que nos madruga e nos tira o sono. É quando algo faz sentido, mesmo para aqueles que não o procuram, mesmo que seja considerado fútil e sem graça.