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Margareth Menezes: Absolute Cultura, Absolute Democracia
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Opinião

Margareth Menezes: Absolute Cultura, Absolute Democracia

Enquanto "Ainda Estou Aqui" reafirma o vigor do nosso talento, filmes como "Manas" e "O Agente Secreto" demonstram como o Estado brasileiro impulsiona a criação artística. O investimento público é decisivo para transformar ideias em filmes competitivos
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Margareth Menezes

Ministra da Cultura do Brasil

“Está fervilhando.” Assim o ator Wagner Moura resumiu o brilho recente do audiovisual brasileiro no cenário global. Da aclamação em Cannes às premiações no Globo de Ouro, chegando às históricas indicações ao Oscar, o Brasil voltou a ocupar o topo. E, ao explicar esse fenômeno, Wagner foi direto: “É apenas a democracia”.

O que celebramos hoje, o nosso absolute cinema, é resultado de um país que voltou a investir em si mesmo. Não é sorte, não é milagre. É o talento do nosso povo aliado à política pública. O audiovisual brasileiro tem o “molho”, uma identidade única que nenhum algoritmo consegue replicar. Esse brilho se revela em obras de realizadores e realizadoras como Walter Salles, Kleber Mendonça Filho, Anna Muylaert e Marianna Brennand, reconhecidos em festivais internacionais. São filmes que levam a nossa essência para as telas do mundo.

Mas esse “molho” precisa de estrutura, fomento e visão de Estado para circular. Desde 2023, o Governo Federal retomou com força o investimento público no audiovisual, reconhecendo o setor como estratégico para o desenvolvimento econômico, cultural e simbólico do país. Até 2025, foram aportados mais de R$ 5,7 bilhões no setor, somando recursos do Fundo Setorial do Audiovisual e das Leis de Incentivo.

O Ministério da Cultura atua para que esse investimento se traduza em obras, circulação e acesso. Apenas nas chamadas públicas de produção em 2024 e 2025, foram contempladas aproximadamente 852 obras de todas as regiões do país. É a democracia cultural operando na prática, garantindo que diferentes vozes, sotaques e territórios tenham condições reais de produzir.

Enquanto “Ainda Estou Aqui” reafirma o vigor do nosso talento, filmes como “Manas” e “O Agente Secreto” demonstram como o Estado brasileiro impulsiona a criação artística. Essas obras premiadas contaram com o braço estruturante do Fundo Setorial do Audiovisual e da Ancine, evidenciando que o investimento público é decisivo para transformar ideias em filmes competitivos e consolidar o audiovisual como indústria sólida. Segundo dados da Motion Picture Association e da Ancine, o setor injeta R$ 70,2 bilhões no PIB, sustenta mais de 608 mil empregos e movimenta ampla cadeia produtiva.

A presença de filmes brasileiros em grandes festivais internacionais comprova que consolidamos uma esteira consistente de produção e reconhecimento. Estar do lado do povo brasileiro é proteger esse patrimônio cultural e econômico. A “fervura” que Wagner Moura sente é a celebração da nossa soberania cultural. Não é acaso. É a democracia devolvendo ao Brasil o direito de se enxergar, se orgulhar e prosperar. Absolute Cultura. Absolute Democracia.

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