Ser empreendedor no Nordeste é compreender o valor do território. Em cada produto, serviço ou prato, há uma herança cultural que atravessa gerações e se transforma em oportunidade de desenvolvimento. Na gastronomia, essa força é ainda mais evidente, e faz da região um dos motores da economia brasileira.
A culinária nordestina é um retrato fiel do modo de vida local. No Ceará, o baião de dois, a carne de sol, a panelada, a peixada e o bode vão além de pratos: são expressões de identidade. Neles estão a resistência, a criatividade e o senso de coletividade de um povo que aprendeu a valorizar o que tem. Ao mesmo tempo, o setor se moderniza, incorporando técnicas contemporâneas e novas combinações que unem ingredientes regionais a tendências da alta gastronomia.
Esse movimento vem acompanhado de crescimento econômico. Segundo a Secretaria Municipal de Desenvolvimento Econômico do Ceará, o número de empresas ligadas ao turismo gastronômico cresceu 348% na última década. Em Fortaleza, o avanço representa mais de 10 mil novos empreendimentos, um sinal de que a mesa nordestina se tornou também um espaço de renda e inovação.
Os dados nacionais também reforçam esse cenário. Pesquisas do Ministério do Turismo mostram que 50,7% dos brasileiros que planejam viajar nos próximos seis meses escolhem o Nordeste. Com 58 milhões de habitantes, a região é a segunda mais populosa do país e lidera a preferência dos viajantes, com Alagoas, Bahia e Ceará entre os destinos mais procurados. Essa movimentação aquece o turismo, gera empregos e impulsiona toda a cadeia de valor, da agricultura familiar ao setor de serviços.
O empreendedor nordestino tem como marca a capacidade de reinventar-se. Em um cenário competitivo, combina a riqueza dos insumos locais com a ousadia de propor o novo. Assim, surgem receitas que valorizam o sabor do sertão e dialogam com o mundo. É essa mistura de tradição e inovação que consolida o Nordeste como destino de experiências autênticas, em que cada iniciativa, seja na cozinha, na praia ou no sertão, carrega o tempero da criatividade e a força de quem acredita na própria terra.