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João Macedo Coelho Filho: O desafio da formação médica com qualidade
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Opinião

João Macedo Coelho Filho: O desafio da formação médica com qualidade

O Enamed) trouxe resultados relevantes e preocupantes. Entre os 351 cursos avaliados, mais de um terço dos estudantes concluintes situou-se nas faixas insatisfatórias (conceitos 1 e 2, numa escala de 1 a 5
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João Macedo Coelho Filho. Diretor da Faculdade de Medicina da UFC. (Foto: Arquivo Pessoal)
Foto: Arquivo Pessoal João Macedo Coelho Filho. Diretor da Faculdade de Medicina da UFC.

A abertura de novas escolas médicas, que possibilitou o acesso de milhares de jovens ao curso de Medicina, não se deu por mecanismos uniformes de planejamento, aprovação, acompanhamento e supervisão. Concentrada majoritariamente na iniciativa privada, esteve, em diversos contextos, associada a interesses políticos e econômicos, frequentemente dissociados de critérios técnicos, das reais necessidades do Sistema Único de Saúde (SUS) e da capacidade instalada para garantir formação de qualidade. Esses fatores passaram a suscitar questionamentos quanto à qualidade da formação médica atualmente em curso no país.

O Exame Nacional de Avaliação da Formação Médica (Enamed), instituído pelo Ministério da Educação (MEC), trouxe resultados relevantes e preocupantes. Entre os 351 cursos avaliados, mais de um terço dos estudantes concluintes situou-se nas faixas insatisfatórias (conceitos 1 e 2, em uma escala de 1 a 5).

Quase 60% das instituições privadas com fins lucrativos permaneceram nessas faixas. Em contrapartida, entre as instituições públicas federais e estaduais, 87% alcançaram conceitos elevados, dados que evidenciam a centralidade dessas instituições na formação médica de qualidade no Brasil e a importância de investimento contínuo e estruturante nesse setor.

Enquanto alguns cursos atingiram, nessa avaliação, patamares de excelência - como o curso de Medicina da UFC Fortaleza -, outros revelaram fragilidades que colocam em dúvida sua capacidade de formar profissionais alinhados às necessidades do SUS e às exigências contemporâneas da prática médica. Esses resultados deverão servir de referência para ações regulatórias do MEC, que se mostram urgentes e imprescindíveis.

A implementação sistemática do Enamed representa um avanço importante, mas persistem desafios para o seu aperfeiçoamento. Trata-se de uma prova objetiva de múltipla escolha, focada predominantemente no conhecimento técnico-teórico, que deixa à margem competências práticas e habilidades relacionadas à ética, à comunicação e à empatia - todas essenciais e previstas como obrigatórias nas Diretrizes Curriculares Nacionais. Ademais, os processos avaliativos deveriam contemplar de forma mais direta as próprias instituições e seus cursos, e não apenas o desempenho individual dos estudantes.

Espera-se, portanto, que a formação médica no país seja qualitativamente rigorosa e assumida como uma responsabilidade estratégica, afinal trata-se da preparação de profissionais que cuidarão de bens insubstituíveis: a saúde e a vida de toda a sociedade.

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