Ela vendia e alugava lares. A violência lhe roubou o futuro. O mercado imobiliário brasileiro foi atravessado por uma dor profunda com o assassinato de Daiane Alves de Souza, em Caldas Novas (GO). A corretora foi brutalmente morta pelo síndico do condomínio, com a participação de seu filho, e teve seu corpo ocultado. Permaneceu desaparecida por semanas. Um crime que ultrapassa o horror individual e atinge toda uma categoria profissional especialmente as mulheres.
Daiane não estava em confronto, ela estava trabalhando. Exercia o que define a essência da corretagem: intermediar conflitos, buscar soluções e defender direitos dentro da legalidade. Ela representava o interesse legítimo de seu cliente, um inquilino. Levava diálogo onde deveria haver diálogo. Levava justiça onde cabia justiça.
O mercado imobiliário tem recebido, de forma crescente, mulheres. Mulheres que escolhem essa profissão movidas por propósito. Porque imóveis não são apenas ativos financeiros. São lares, recomeços, proteção. Abraçamos o nosso trabalho como missão de vida. As mulheres representam 33,5 % do mercado imobiliário cearense, ou seja, um em cada três profissionais da corretagem no estado é uma mulher.
Ser corretora é assumir compromissos silenciosos e profundos: mediar interesses, suportar tensões, enfrentar conflitos e fazer prevalecer a boa negociação e direito e dever dos nossos clientes confiando que a lei e o diálogo bastam.
Diante desse acontecimento, é impossível, não reconhecer a tragédia simbólica desse crime: a busca pela resolução de problemas no exercício do seu trabalho sacrificou o seu próprio direito à vida.
Nada justifica a violência. Nenhuma divergência profissional autoriza um assassinato. Quando uma mulher morre por trabalhar, não é apenas um crime, é um colapso social.
Este texto é luto, mas também alerta.
Porque nenhuma profissional deveria sair de casa sem a certeza de que voltará viva.