O Brasil é, indiscutivelmente, um país criativo. Produz conhecimento, pesquisa, tecnologia e soluções inovadoras de forma contínua, no ambiente acadêmico, nas empresas ou em iniciativas independentes. Ainda assim, uma parcela significativa desse potencial se perde antes de alcançar a sociedade. A pergunta que se impõe é direta e necessária: por que tanta inovação não chega ao mercado, às políticas públicas ou à vida concreta das pessoas?
Um dos principais entraves está na fragilidade das estruturas voltadas à organização, à proteção e ao aproveitamento do que é criado. Ideias, métodos, processos, tecnologias e conhecimentos nascem com valor, mas frequentemente não são devidamente estruturados, protegidos ou conduzidos até uma aplicação prática. Nesse contexto, a propriedade intelectual e a transferência de tecnologia tornam-se elementos centrais para evitar que bons projetos se dispersem pelo caminho.
Minha recente aprovação no Mestrado Profissional em Propriedade Intelectual e Transferência de Tecnologia para a Inovação (PROFNIT), ofertado no Ceará pelo IFCE, está diretamente conectada a esse desafio. O programa forma profissionais capacitados para atuar na ponte entre criação e aplicação, ajudando a transformar conhecimento em valor econômico, social e estratégico — em empresas, clínicas, universidades ou projetos de inovação.
A propriedade intelectual está longe de ser um tema distante da realidade cotidiana. Ela se manifesta quando uma tecnologia chega ao mercado, quando um método é reconhecido, quando uma marca se consolida ou quando uma solução inovadora gera impacto positivo na vida da população. Já a transferência de tecnologia é o caminho que permite que essas criações saiam do papel e ganhem escala, evitando o desperdício de talento, tempo e investimento público ou privado.
Investir em formação nessa área significa fortalecer o desenvolvimento local, estimular ambientes inovadores e ampliar a competitividade de negócios e instituições. Em um país que cria tanto, aprender a estruturar, proteger e aplicar o conhecimento não é luxo — é uma necessidade estratégica para o presente e para o futuro.