Durante o IV Fórum Social Mundial (Mumbai, de 16 a 21/1/2004), o grupo Women in Black denunciou a naturalização da violência doméstica por parte de militares israelenses no retorno para casa. Formado após a Primeira Intifada (1987) para protestar contra a brutal ocupação da Palestina e a violação sistemática de direitos humanos, tornou-se um movimento pacifista internacional de mulheres.
No filme Jana Gana Mana (Dijo Jose Antony, 2022), cujo título designa o hino nacional indiano, a frase "A dignidade de uma nação é a dignidade de suas mulheres" é repetida enfaticamente durante as cenas de protesto estudantil. O tema da película é o assassinato de uma professora universitária, fato revelador das alarmantes taxas de feminicídio na Índia.
Casos de violência doméstica e feminicídio como os relatados vêm aumentando em âmbito global. Os dados estarrecem: 140 assassinatos diários cometidos por parceiros/familiares, ou seja, a cada 10 minutos, uma mulher é morta. A casa é considerada o lugar mais perigoso e letal.
O papel da mulher na família, na produção e na sociedade resulta de um processo de "domesticação" do corpo e da alma. Apesar das conquistas frente às formas variadas de discriminação de gênero e da maior presença nos espaços públicos, as mudanças nas relações afetivas são difíceis e demoradas. Os relacionamentos interpessoais ainda têm como modelo a família patriarcal, cujo traço marcante é a submissão feminina.
Direitos iguais são decisivos para a legitimidade de uma nação; porém, as elites persistem imaginando a comunidade nacional como domínio masculino, reprimindo a participação da mulher enquanto sujeito histórico, político e cultural. Não por outra razão, as mulheres têm se organizado em ações coletivas para reivindicar a plena cidadania, disputando seu espaço social como construtoras da nação.
A práxis nos movimentos feministas ensina que o autoritarismo alimenta a estrutura patriarcal, machista e homofóbica, constituindo séria ameaça às liberdades civis, políticas, sexuais e reprodutivas, conquistadas com suor e sangue. Apesar de invisibilizadas, as mulheres atuaram (e atuam) na linha de frente das lutas anticoloniais e anti-imperialistas. Guerreiras e combatentes, reconhecem os riscos de uma intervenção militar estrangeira na Nossa América, após dois séculos das guerras de independência. E, sem titubear, assumem o protagonismo na defesa da Revolução Bolivariana.
Invadida, a Venezuela resiste à recente agressão dos EUA com a população mobilizada nas ruas para garantir o direito de traçar seus próprios rumos e a autonomia de um governo democraticamente eleito. Cresce a solidariedade internacional com protestos em inúmeros países e a Marcha Mundial de Mulheres convoca manifestações em prol da soberania dos povos latino-americanos e caribenhos.
As vozes femininas rompem o silêncio e anunciam: do caos nascem as estrelas!