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Bolo de Bacuri
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Opinião

Bolo de Bacuri

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Em um dia de trabalho qualquer, experimentei o Bolo de Bacuri. Veio de Teresina, capital do Piauí, para uma mesa ibiapabana. O B maiúsculo é para dar importância: ao Bolo e ao Bacuri, por ter sido a primeira vez que comi uma massa dessa fruta amazônica tão comum no estado do Piauí. Nas minhas fontes de pesquisa, o Bacuri é nativo da Amazônia, sendo indicados o Maranhão e o Pará como os estados em que se pode encontrá-lo com maior facilidade. Mas para mim, é como se o Bacuri fosse do Piauí. O sabor dessa fruta carrega raiz e afeto - no sorvete, no Bolo e no suco, o Bacuri é uma memória afetiva do meu coração e das minhas origens piauienses. O sorvete de Bacuri que minha avó fazia e marcou minha infância, e também o que meu tio fez na comemoração do seu último aniversário em vida, lá no nosso trabalho, no mesmo prédio.

Os dias são como as contas de um terço, divididos por mistérios. Na gaveta do amanhã, não há espaço para o hoje. Enfim, ainda não terminei de falar do meu carinho pelo Bacuri, que compõe minhas primeiras memórias do trabalho atual. Assim como o sorvete tatuou minha infância, o Bolo de Bacuri se tornou uma das melhores lembranças da minha vida adulta e adoçou alguns dos muitos dias de trabalhos, cheios dos abacaxis do mundo jurídico. O doce era tão fantástico que até escrevi uma crônica sobre aqueles dias alegres no meio do meu expediente, em uma folha de agenda, que infelizmente se encharcou com o suor das minhas mãos, e depois acabei perdendo. A memória ficou, a palavra escorreu, e o doce nunca passou. No meio de tanto abacaxi, o Bolo de Bacuri.

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