Sobre o conhecimento, os seres e tudo que precisamos saber para existirmos: na verdade não sei ainda para o que eles servem, além de suprir a necessidade de cada função que todos possuem. Os anciões, por exemplo, são detentores do conhecimento. O saber é adquirido por meio das vivências. Agora, com a idade juvenil que tenho, me sinto satisfeito com o parco conhecimento que detenho, mas, ao mesmo tempo, todos os dias me sinto leigo a cada situação aparecida e desconhecida. Uma engenhoca de resgate que aprendi para funcionar no dia a dia, dando funções a cada saber, mesmo que talvez eles não existam ou não funcionem.
No dia que escrevi esse texto, estava ouvindo Maysa quando minha tia falou "seu bisavô ouvia muito essas músicas na vitrola quando eu era menina". Esse fato caiu como uma luva para mim. Como anos de análise que eu não fiz, ou infindas aulas que não assisti, ou mesmo conversas de bares que não presenciei. Parece que os detentores do saber flertam com o silêncio que paira e, logo após chega um barulho vindo lá do fundo do HD que diz algo a me alegrar, levando-me à um lugar de herança familiar.
Para mim, o saber tem a ver com o silêncio. Eles caminham juntos. Às vezes, a escuta, o olhar, tudo de uma maneira figurada, existem para nos silenciar e apresentar um saber detido anteriormente. Uma vez minha analista falou "talvez essa seja a primeira vez que você está vivendo", desde então eu penso que: precisamos nos desligar, colocar os instintos para funcionarem e, através da curiosidade ou afago pelo saber, simplesmente sermos atentos ao aprendizado para que detenhamos esse tal conhecimento. Seja ele natural ou não, mas se vier para o aprendizado funcional da engenhoca da vida, acredito que devemos deixá-los guardados à vista para não os perdermos.