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O show tem que continuar? DJs avaliam retorno da atividade

DJs profissionais falam da atuação durante o período do isolamento social e dividem prospecções para o retorno da atividade no pós-pandemia
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DJ Saulo Torres aposta que, mesmo com a reabertura de bares e restaurantes, as lives ainda podem ser uma saída para os estabelecimentos contarem com atrações (Foto: Aurélio Alves)
Foto: Aurélio Alves DJ Saulo Torres aposta que, mesmo com a reabertura de bares e restaurantes, as lives ainda podem ser uma saída para os estabelecimentos contarem com atrações

Seja em casamentos e aniversários ou em casas noturnas, bares e até na rua, DJs são atrações certeiras para trazer música e animação aos eventos. Outra certeza certeira é que cada evento citado promove, invariavelmente, aglomerações. Assim como diversas outras ocupações dos mercados da cultura e do entretenimento, a atuação desses profissionais foi impactada pela pandemia global do novo coronavírus. Com a aproximação da reabertura gradual da economia no Estado, protocolos e comportamentos adequados vêm sendo pensados por empresários, produtores culturais e artistas. Nesse contexto, a contratação de DJs é vista como uma possível forte tendência para os estabelecimentos, mas a volta das atividades é vista com desconfiança.

OUÇA TAMBÉM | Os DJs entrevistados montaram playlists especiais, disponíveis ao fim da matéria. Aproveite!

Durante a pandemia, a atividade encontrou escoamento criativo e até fonte de renda por diferentes meios. Naturalmente, as populares lives foram uma saída. "O DJ, pelo fato de estar mexendo com tecnologia quase sempre, conseguiu rápido se adaptar às lives, canais, novas plataformas. Nosso material tá em casa: discos, controladora, CDJ. Isso foi ajudando", avalia o DJ Albano Seletor, membro da festa Catiguria e figura carimbada em estabelecimentos como a Culinária da Van, Abaeté, Vilarejo 84 e Gato Preto.

FORTALEZA, CE, BRASIL, 09.06.20 Denilson Albano, DJ, conta como está sendo sua experiência profissional em tempos de isolamento social por conta da pandemia do coronavirus (FCO FONTENELE /O POVO)
Foto: FCO FONTENELE
FORTALEZA, CE, BRASIL, 09.06.20 Denilson Albano, DJ, conta como está sendo sua experiência profissional em tempos de isolamento social por conta da pandemia do coronavirus (FCO FONTENELE /O POVO)

Apostar em redes de compartilhamento de música também ajudou. Indira Marley, membro do coletivo de DJs Rebel Women, divide estratégias. "Fiz live com mais duas integrantes e a gente foi dar mais atenção ao YouTube, Instagram, Deezer, colocando também playlists", elenca. Tais ferramentas também auxiliaram Saulo Torres, DJ fixo de estabelecimentos como a barraca de praia Terra do Sol e o hotel Gran Mareiro. "Fiz apenas uma live, bastante estruturada de forma a deixar meu público satisfeito com a qualidade que normalmente me proponho a entregar. Também divulguei meus canais no Soundcloud, onde tenho meus sets, e Spotify, com minhas playlists", afirma. Nego Célio - membro do Coletivo Tertúlia, um dos produtores das festas Urra e Forró do Pingoró e DJ em bares e restaurantes - encontrou no Instagram a melhor plataforma. O artista cita a "dificuldade que se tem em fazer lives sem que elas caiam por questões de direitos autorais". Ele ainda conta que, durante a pandemia, procurou editais, apesar de ressaltar as "burocracias excludentes" das chamadas.

Indira Marley é membro do coletivo de DJs Rebel Women
Foto: Wall Araújo / divulgação
Indira Marley é membro do coletivo de DJs Rebel Women

No começo de junho, deu-se partida à reabertura gradual da economia em Fortaleza e, no processo, está prevista para o dia 22 a retomada das atividades em restaurantes em horários específicos (confira quadro para mais informações). Na avaliação de Nego Célio, a volta dos estabelecimentos é "muito equivocada". "Ainda não consigo imaginar como será minha profissão quando tudo isso passar. Acredito que não vai ser tão rápido. Muitos bares e restaurantes estão fechando e os que não fecharam não sei se vão querer destinar verba ao nosso trabalho", expõe. O DJ reforça que a profissão é preterida em editais e lembra que o retorno da arte e da cultura, como um todo, será um desafio. "Fica difícil imaginar um futuro positivo quando não se tem um cultura que fomente o valor da arte na Cidade. A classe artística, seja no teatro, música ou dança, sempre teve muita dificuldade em viver da própria arte e agora será mais difícil, já que nosso trabalho tem contato direto com o público e sempre foi desvalorizado", afirma.

Nego Célio
Foto: Tainá Cavalcante / divulgação
Nego Célio

Albano Seletor divide que a festa Catiguria - cuja última edição realizada antes da pandemia recebeu cerca de 600 pessoas - vem discutindo planos de retomada, mas também é reticente com o retorno pleno das atividades. "A gente tá pensando em reduzir (o acesso de público) ou então levar a festa para bares onde as pessoas fiquem sentadas e possam curtir no seu canto. Dependemos de como será a propagação do vírus, mas a festa vai andar de acordo com o que tiver de ser feito", garante, completando: "Não acredito que esse ano a gente possa fazer festa. Mesmo que, digamos, apareça uma vacina, as pessoas ainda vão ficar receosas com aglomeração por algum tempo", considera.

"A contratação de DJs já vinha ocorrendo com mais frequência em relação às bandas pelo custo menor", acrescenta Indira, fazendo coro à reticência dos colegas. "O risco é o mesmo, porque aglomeração é questão de público", afirma a DJ. Para Saulo, as lives ainda podem ser boas opções caso estabelecimentos queiram contar com atrações musicais. "Bares e restaurantes com um mínimo de suporte de som e imagem conseguem, talvez até contratando via aplicativo artistas que normalmente seriam mais caros", afirma. "Muitos DJs entendem que se todos fizessem o isolamento como as organizações de saúde tem proposto, seria possível passar por tudo isso bem rápido, mas as festas só voltariam de verdade quando uma vacina fosse encontrada", reforça Saulo. A esperança, no fim das contas, é que o show possa, sim, continuar - mas do modo mais seguro para todos. "Espero que a pandemia estabilize logo, para que volte a parte de entretenimento. São muitos setores ligados direta e indiretamente a essa área", torce Indira.

Playlists especiais

Além de dividirem suas experiências e opiniões, Albano Seletor, Indira Marley, Nego Célio e Saulo Torres também montaram playlists especiais a pedido do O POVO +. Os sons elencados vão do reggae à MPB, passando por música eletrônica, groove e rap. Ouça abaixo!

Calendário da reabertura gradual para cultura e entretenimento

22/6 - Data prevista para o início da fase 2, na qual bares e restaurantes que funcionem de 9 às 16 horas terão abertura permitida

6/7 - Data prevista para o início da fase 3, na qual a permissão de abertura se estende para restaurantes em fase noturna e também barracas de praia

20/7 - Data prevista para o início da fase 4, que completará a abertura da cadeia de alimentação fora de casa. Na data, também prevê-se a reabertura de serviços de lazer, nos quais estão inclusos espetáculos e clubes

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