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PSD faz evento cheio de recados políticos ao MDB

Articulações do PSD no Ceará faz relação entre partidos estremecer
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GILBERTO Kassab e Domingos Filho comandaram a festa de filiações ao PSD em Pacatuba (Foto: DIVULGAÇÃO/PSD)
Foto: DIVULGAÇÃO/PSD GILBERTO Kassab e Domingos Filho comandaram a festa de filiações ao PSD em Pacatuba

O evento do PSD Ceará em Pacatuba, antepenúltimo de uma semana preenchida no Interior, foi cheio de recados políticos ao MDB do ex-senador de Eunício Oliveira. O ato encheu o ginásio do Cras, no bairro Alto do São João. Membros do MDB têm manifestado incômodo com as costuras políticas pessedistas que, de olho nas eleições de 2020, e até de 2022, quer crescer.

Parte do movimento de expansão pessedista, acompanhado de perto por Kassab, presidente nacional do PSD, foi a filiação do prefeito de Pacatuba, Carlomano Marques, durante a manhã desta sexta-feira, 20. Na ocasião, ele disparou críticas à condução do MDB, a qual acusa de não ter lhe dado o devido prestígio interno. 

"Eu conheço as entranhas do PMDB, todas as lutas do PMDB, inclusive para botar o seu Eunício na 'presidente', eu estive presente e votei nele naquele momento difícil para tirar o Mauro (Benevides), que vinha há duzentos anos na presidência, pra botar o Eunício: foi pior, porque ele fez um grupinho de quatro ou cinco e o PMDB, como um todo, nunca aceitou, mas nunca tiveram coragem de dizer que não aceitavam", sustentou Marques.

Neste clima, o presidente do PSD estadual, Domingos Filho, acolheu o antigo aliado.  “Aqui você vai sair da periferia para tomar decisões no centro do partido. Você será um grande líder nesse momento histórico no partido”, garantiu o ex-vice governador.

Composta por 24 partidos, a base do governador Camilo Santana (PT) é diversa e antagônica entre si. O choque de interesses entre os dois partidos retrata que a aproximação das eleições - 4 de outubro de 2020 - tende a ser proporcional à intensificação do acirramento. O petista já afirmou ao O POVO que tentará construir pactuações tanto quanto possível, reconhecendo que, em alguns cantos do Ceará, será impossível.

Outro entendimento sobre a questão tem natureza interna. Kassab raciocina que o PSD, enquanto partido ligado ao centro, pode ocupar espaço do MDB no cenário político. "Você não vai ver um caso em que exista conflito mais extenso nem com PT nem PDT. É natural que, como somos partido de centro, que muitos nos procurem, também sejam partidos de centro", avalia o deputado federal Domingos Neto. 

Assim como o pai já havia dito ao O POVO, ele acrescentou que, em alguns casos, o movimento de busca não é do partido, mas das lideranças. "Se não vier para o PSD, irá para outro." Só em junho, o partido filiou o prefeito de Caucaia, Naumi Amorim, e chefes de Executivos de Iguatu, Novo Oriente, Itaiçaba e Barro. Mais recentemente, atraiu o prefeito de Beberibe, Padre Pedro da Cunha, o ex-deputado estadual Paulo Duarte e o também ex-parlamentar Manoel de Castro Neto.

Domingos Filho desconversou sobre as palavras de Carlomano dirigidas ao antigo partido, já que o "que nos interessa são os motivos para a entrada" no PSD. Ele assegura que o ritmo de expansão da sigla permanecerá o mesmo. "Se parar, murcha, naturalmente deverá ser continuado", disse, já a bordo do banco de trás de um veículo, que ainda iria ao encontro de Camilo, no Palácio da Abolição, do prefeito Roberto Cláudio (PDT), e aos municípios de Iguatu e Juazeiro do Norte.  

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