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A presença do Itamaraty é a melhor parte da notícia

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A boa notícia das articulações dos governadores nordestinos pela Europa, atrás de investimentos, é a presença de um representante do Itamaraty, dando-lhes apoio e garantindo chancela federal. Afasta-se assim, na aparência, o risco de a iniciativa ser entendida apenas como ato rebelde de uma região com quem o presidente Jair Bolsonaro, de fato, não tem tido a melhor das relações.

A própria criação do Consórcio Nordeste já fora resultado de uma compreensão correta que tiveram os governantes da região, desde o começo, de que a união entre eles seria determinante para enfrentar juntos difculdades no relacionamento que estavam anunciadas. Era algo bem fácil de prever que aconteceria a partir do comportamento do próprio presidente, vale lembrar, flagrado uma vez em conversa com assessor queixando-se dos governadores "paraíbas", ou coisa parecida. Restava-lhes, como fizeram, articular uma resistência.

O que acontece desde ontem, porém, mostra que o bloco de governadores precisa ser entendido como algo mais do que um movimento estático de defesa do Nordeste. Resistir poderia ser lá o seu sentido básico inicial, justificado pela situação em que o eleitor nordestino, considerados todos os nove estados da região, optou, através da maioria dos votos, pela escolha de políticos ligados à oposição, portanto, que estavam do lado contrário de Bolsonaro durante a campanha. Demarcada a posição política, e isso parece que já aconteceu, era necessário aproveitar a força que representa este coletivo para algo mais do que apenas se proteger.

O balanço do primeiro dia de contatos mostra que muita coisa aconteceu e aponta uma boa compreensão dos interlocutores franceses acerca do que querem os líderes nordestinos. Mais importante, no entanto, é o registro de que o governo Bolsonaro, atrapalhado que seja quando se trata de cumprir um mero protocolo, também demonstre capacidade de localizar a institucionalidade da iniciativa, independente do lado político de onde ela parta. Talvez, uma demonstração de que aquele movimento que nasceu como gesto de defesa pode, também, posicionar o Nordeste no ataque.

 

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