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Bolsonaro sai às ruas em desafio a Mandetta

Presidente volta a ignorar recomendações do Ministério e de todos os órgãos de saúde, visita comércios e cumprimenta pessoas
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PRESIDENTE sugeriu ainda que poderia baixar decreto liberando que pessoas de todas as profissões voltem ao trabalho durante a pandemia (Foto: RODRIGO SILVIANO/AE)
Foto: RODRIGO SILVIANO/AE PRESIDENTE sugeriu ainda que poderia baixar decreto liberando que pessoas de todas as profissões voltem ao trabalho durante a pandemia

Um dia após o ministro da Saúde, Luiz Henrique Mandetta, pedir, em reunião tensa, que não menosprezasse a gravidade da pandemia do novo coronavírus em manifestações públicas, o presidente Jair Bolsonaro foi às ruas na manhã de ontem. Ele visitou vários comércios locais ainda abertos em Brasília e cumprimentou as pessoas que lá estavam. Houve aglomerações para tirar selfies com o presidente. "O povo quer trabalhar. É o que eu tenho falado desde o começo. Vamos tomar cuidado, a partir dos 65 fica em casa", disse Bolsonaro, que completou 65 anos no dia 21.

Na volta ao Palácio da Alvorada, o presidente afirmou, sem dar detalhes, que estava "com vontade" de baixar decreto liberando que pessoas de todas as profissões possam trabalhar durante a pandemia, e não só as que fazem serviços essenciais. Depois, em vídeo divulgado nas redes sociais, ele recomendou que "todos os políticos" saiam às ruas para, em sua avaliação, entender a realidade do País.

 "Estive em Ceilândia e Taguatinga. Fui ver na ponta da linha como está o nosso povo. E em especial os informais, os mais atingidos por essa onda de desemprego. Uma experiência que recomendo a todos os políticos do Brasil", disse Bolsonaro.

Em reunião no sábado, 28, Mandetta fez alerta ao presidente e aos demais ministros: "Estamos preparados para o pior cenário, com caminhões do Exército transportando corpos pelas ruas? Com transmissão ao vivo?" Em outro momento, Mandetta deixou claro que, se o presidente insistisse em ir às ruas, seria obrigado a criticá-lo. E Bolsonaro rebateu que, nesse caso, iria demiti-lo. Depois, em entrevista coletiva, o ministro condenou atos pela abertura do comércio e disse que "os mesmos que fazem carreata vão ficar em casa daqui a duas semanas".

Procurado ontem para se manifestar sobre o tour do presidente, o Ministério da Saúde respondeu que não comentaria. A primeira parada do passeio de Bolsonaro foi em um posto de combustíveis, onde desceu do carro para tirar foto com frentistas. Também visitou farmácia, padaria e uma mercearia no Sudoeste. No Hospital das Forças Armadas (HFA), onde esteve por 20 minutos, conversou com médicos e enfermeiras.

Bolsonaro defendeu que sejam tomadas medidas de precaução contra a doença, mas principalmente para idosos e pessoas do grupo de risco. Afirmou que estes casos, em que "a gripe" pode ser mais grave, serão tratados com hidroxicloroquina. O medicamento, porém, ainda não tem sua eficácia comprovada contra o coronavírus.

 

Apesar de falar em medidas de precaução, Bolsonaro não seguiu as recomendações do Ministério da Saúde. O presidente brincou todas as vezes em que populares chegavam para cumprimentar com apertos de mãos, dizendo que "não podia". Mas ficou em meio a aglomerações para tirar fotos e selfies com apoiadores. No dia 15, o presidente já havia sido alvo de críticas ao participar de ato a favor de seu governo.

O distanciamento social e o isolamento são medidas recomendadas pelo Ministério da Saúde e pela Organização Mundial de Saúde (OMS) para evitar a rápida disseminação do vírus. (Agência Estado)

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