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Líderes evangélicos aumentam pressão sobre governo para reabertura de igrejas

Governo, apesar disso, tenta manter firme a decisão de não permitir eventos que provoquem aglomeração nas cidades cearenses
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Sessão foi suspensa depois que deputada Dr. Silvana (PR) solicitou verificação da presença dos parlamentares: "A minha intenção é realmente atrasar a votação"
 (Foto: Paulo Rocha/ (AL-CE))
Foto: Paulo Rocha/ (AL-CE) Sessão foi suspensa depois que deputada Dr. Silvana (PR) solicitou verificação da presença dos parlamentares: "A minha intenção é realmente atrasar a votação"

Lideranças evangélicas no Ceará têm reforçado articulação junto ao governador do Estado Camilo Santana (PT) pela reabertura de templos evangélicos fechados por decreto com diretrizes de combate à pandemia do novo coronavírus, que se alastra pelo Estado. A administração estadual ouviu reivindicações de pastores por meio de videoconferência na última sexta-feira, 24.

No mesmo dia da reunião, membros da Ordem dos Ministros Evangélicos do Ceará (Ormece) assinaram nota pedindo a retirada dos templos do decreto estadual que estampa série de restrições ao convívio social. A alegação central deles é de que a determinação vai na contramão do princípio constitucional que assegura o exercício de cultos religiosos e a proteção aos locais de prática da fé.

"Se o vírus ataca o corpo, o pânico, a fobia, a depressão, a solidão, a desorientação e o desespero surgem também nesse momento. Pessoas têm cometido ou tentado suicídio", argumentam os pastores em um dos trechos do documento. Os religiosos têm o apoio político dos deputados estaduais protestantes Dra. Silvana (PL), David Durand (Republicanos) e Apóstolo Luiz Henrique (PP). Deputado federal e esposo de Silvana, Jaziel Pereira reforça o pleito dos aliados.

O vice-presidente da Convenção das Assembleias de Deus do Ceará (Conadec), João Gonçalves, afirmou diretamente a Camilo na reunião que "nosso povo é obediente" e as igrejas podem coordenar a ida dos fiéis às igrejas seguindo protocolos de segurança e saúde. Para isso, de acordo com a sugestão dele, as celebrações podem ocorrer até mesmo com público reduzido.

"Se o senhor (Camilo) determinar que cada culto funcione com cinquenta pessoas, vai funcionar, sim, cada culto com 20 pessoas, vai acontecer", propôs Gonçalves de acordo com vídeo obtido por O POVO.

A presença dos templos no conjunto de restrições determinadas pelo Governo do Ceará desagrada Dra. Silvana. Ela e Durand, antes governistas, agora se movimentam para fora da base da Camilo na Assembleia Legislativa do Ceará (AL-CE). Além da crise de saúde, os dois também apoiarão Capitão Wagner (Pros) na disputa à Prefeitura de Fortaleza, que é opositor do grupo político do petista.

"Eu vi com muita insatisfação a condução do Comitê de Crise. A minha visão é a de muitos pastores, aponta pra o entendimento que as igrejas deveriam desde o começo entrar cooperando e não sendo impostas por decreto. (...) A igreja deseja ser o que sempre foi na história da humanidade: protagonista para ajudar a sociedade e o Estado", disse Silvana, que presidea Comissão de Saúde da Assembleia, ao O POVO.

O Governo do Ceará, por sua vez, se move no sentido de definir um modelo de flexibilização das medidas de isolamento social, seguindo o que outros estados estão fazendo. Os templos religiosos trabalham para pelo menos estarem inseridos no novo decreto, caso não sejam contemplados anteriormente. As atuais diretrizes são válidas até o próximo dia 5.

Nelson Martins, secretário de Relações Institucionais do Governo, frisou que a importância de todas as igrejas é reconhecida pela gestão, com a ponderação de que Camilo tem trabalhado com base nas orientações técnicas. Martins lembrou que uma das alternativas buscadas tanto por católicos como por evangélicos é a realização de cultos online.

 

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