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Lira contradiz Bolsonaro e diz que ninguém influirá na Câmara

| Sucessão | Mesmo com o presidente admitindo, sem constrangimento, que vai interferir na disputa, candidato do Planalto prega discurso de independência
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ARTHUR Lira tem campanha turbinada pelo Planalto com dinheiro de emendas a parlamentares em troca de apoio (Foto: Michel Jesus/ Câmara dos Deputados)
Foto: Michel Jesus/ Câmara dos Deputados ARTHUR Lira tem campanha turbinada pelo Planalto com dinheiro de emendas a parlamentares em troca de apoio

O candidato à presidência da Câmara dos Deputados Arthur Lira (PP-AL) afirmou nesta quinta-feira que ninguém vai influir no comando da Casa, caso seja eleito. A fala contradiz o presidente Jair Bolsonaro, que declara publicamente apoio à candidatura do parlamentar.

Na última quarta-feira, 27, após um café da manhã com deputados do PSL no Palácio da Alvorada, o chefe do Executivo disse que, "se Deus quiser vai participar e influir na presidência da Câmara".

Lira afirmou que, se eleito, será "independente, altivo, autônomo e harmônico". "Eu não ouvi ninguém dizer que vai influir na presidência da Câmara. Influir na presidência da Câmara é diferente do que ele pode ter dito. Porque na presidência da Câmara ninguém influi", disse ele na tarde de ontem ao chegar ao Congresso para uma reunião com a bancada do PP.

"Eu não vou procurar briga ou insuflar qualquer tipo de discussão que não sejam as propostas deste período de eleição", completou.

No entanto, Bolsonaro segue sem muito pudor de dar declarações de torcida pelo aliado. O presidente usou seu discurso em Sergipe para fazer campanha a favor de Arthur Lira, chamando-o de próximo "segundo homem do Executivo", pelo cargo estar na linha sucessória.

"Se Deus quiser, segunda-feira teremos o segundo homem do Executivo, o segundo homem na linha hierárquica do Brasil, eleito aqui no Nordeste pela Câmara dos Deputados, o deputado Arthur Lira. Se Deus quiser, o nosso presidente", afirmou Bolsonaro.

Nos bastidores, o Planalto negocia a liberação de R$ 3 bilhões em emendas parlamentares para 250 deputados na tentativa de atrair votos para o candidato do PP, além de outros 35 senadores votarem em Rodrigo Pacheco (DEM-MG) no Senado.

Mais cedo, o adversário de Lira na eleição para o comando da Casa, deputado Baleia Rossi (MDB-SP), reclamou da interferência do Palácio do Planalto na disputa. Questionado sobre a declaração, Lira afirmou que não fez críticas sobre "interferência de governadores e da Câmara".

"Eu não estou vendo nenhum deputado publicamente assumir que está tendo interferência. Se vocês olharem no Diário Oficial do Estado de São Paulo, o diário oficial da Câmara, vocês vão ver interferência."

Lira continuou e disse que não é momento de "baixar o nível da campanha", já que as propostas dos dois candidatos são conhecidas. "Cada um sabe o que fala e o que os deputados esperam. Os perfis já estão traçados, ninguém muda voto de ninguém numa altura desta. Cada um tem que terminar com a altivez necessária para saber que no dia 2 de fevereiro vamos precisar estar juntos para votar as pautas que o Brasil precisa."

Lira disse também que ainda trabalha para conseguir votos. "Só resta a mim fazer campanha. Mostrar que a gente pode fazer uma gestão diferente e acabar com o excesso de individualismo".

Questionado sobre a possibilidade de ter apoio de parlamentares do DEM, ele afirmou que qualquer partido ainda pode se unir à sua candidatura, já que apenas ele tem um bloco posto até agora.

Principal apoiador de Rossi, o presidente da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia (DEM-RJ), criticou a interferência do Palácio do Planalto na eleição para a Mesa Diretora da Casa. Segundo ele, o governo tem feito promessas de emendas orçamentárias aos parlamentares que não serão cumpridas, em razão do teto de gastos e da crise fiscal do País.

"É um alerta aos deputados e deputadas que a intenção do presidente é transformar o Parlamento num anexo do Palácio do Planalto, o que enfraquece o mandato de cada deputado e deputada e o protagonismo da Câmara nos debates com a sociedade", disse.

Maia alertou que o governo não tem maioria no Congresso e quer formar maioria apenas para o processo eleitoral. Segundo ele, a interferência do governo terá sequelas. Na avaliação de Maia, na execução do Orçamento é preciso o mínimo de organização e compromisso republicano e democrático. (das agências)

 

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