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MPF cobra medidas para evitar aglomerações durante passagem de Bolsonaro

| Nesta sexta | Órgão recomenda ao Dnit e às prefeituras que promovam ações garantidoras do distanciamento social
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O Ministério Público Federal (MPF) emitiu nesta quinta-feira, 25, recomendações para que sejam tomadas medidas para evitar aglomerações durante a passagem do presidente Jair Bolsonaro (sem partido) pelo Ceará. A cobrança do órgão foi direcionada mais especificamente ao Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (Dnit) e às prefeituras de Fortaleza, Horizonte e Tianguá.

Cinco procuradores assinaram a recomendação pedindo a suspensão de quaisquer eventos que possam ocasionar a aglomeração de pessoas durante a visita do presidente no Ceará. "Os números da pandemia em todo Estado inspiram atenção redobrada, permanecendo o isolamento social como política pública mais eficiente e indispensável no combate à disseminação do vírus", defende o MPF.

No último dia 17, o governador Camilo Santana (PT) emitiu decreto que impõe medidas mais rígidas contra a disseminação do coronavírus. Além da prorrogação do isolamento social, foi instituído toque de recolher, tornando proibida a circulação de pessoas que não estejam exercendo atividades essenciais entre 22h e 5 horas da manhã. A ocupação de espaços públicos também foi vedada a partir das 17 horas.

As medidas do Governo do Estado foram tomadas após alta do número de casos e óbitos em decorrência da Covid-19 e também como forma de prevenção à circulação de novas variantes do vírus.

O próprio Camilo Santana se manifestou nessa quinta-feira, 25, nas redes sociais, de forma contrária à visita de Bolsonaro ao Ceará, alertando para a possibilidade de serem formadas aglomerações durante a passagem do presidente pelo Estado.

A agenda de Bolsonaro inclui, pela manhã, uma solenidade em Tianguá para assinatura de três ordens de serviço para obras em rodovias federais no Ceará. À tarde, o presidente acompanha o andamento de intervenções na BR-222/CE, em Caucaia, Região Metropolitana de Fortaleza.

A visita do presidente ao Estado é alvo de críticas e protestos. Na noite dessa quinta-feira, o grupo Médicos em Defesa da Vida, da Ciência e do SUS fez uma mobilização na Praça Portugal, em Fortaleza. Enfatizando o marco das 250 mil mortes pela Covid-19, os manifestantes cobraram políticas mais efetivas de combate à pandemia, assim como maior celeridade à campanha de vacinação no País.

"Essas mortes são determinadas não pela Covid, mas pelas políticas públicas escolhidas pelo Governo Federal para o não enfrentamento dessa situação. Não termos vacinas quando o mundo inteiro está se vacinando determina as mortes dos infectados. Isso é uma escolha do Governo Federal", criticou Liduína Rocha, obstetra, membro do grupo.

Mais cedo, o coletivo já havia divulgado um vídeo nas redes sociais criticando a postura do governo Bolsonaro e denunciando a divulgação de um "tratamento precoce" feito com medicamentos sem eficácia científica comprovada contra a Covid-19.

"Até termos a vacina, é importante que tenhamos políticas de isolamento social efetivas e que a gente tenha apoio financeiro à maior parte da população para que haja dignidade de ficar em casa e para que não haja falta de alimentos e falta de condições mínimas para esse isolamento social", complementou Liduína. O grupo de médicos agendou um outro ato para a manhã desta sexta-feira, na Praia de Iracema, contra a visita de Bolsonaro. (João Marcelo Sena)

Leia mais nas páginas 6 e 8

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