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"É preciso fazer isso para evitar o colapso", diz chefe da Casa Civil sobre lockdown no CE

Secretário também afirmou que diretriz nacional deveria partir do presidente, mas Bolsonaro opera contra as medidas
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Secretário Chagas Vieira deixa Casa Civil até o fim do ano (Foto: REPRODUÇÃO/TWITTER)
Foto: REPRODUÇÃO/TWITTER Secretário Chagas Vieira deixa Casa Civil até o fim do ano

Chefe da Casa Civil do Governo do Estado, Chagas Vieira defendeu ontem a adoção do isolamento social rígido (lockdown) a partir da madrugada desta sexta-feira, 5, em Fortaleza e em parte do Ceará, como forma de tentar conter o avanço da Covid-19. A medida foi decretada pelo governador Camilo Santana (PT) em anúncio feito na última quarta-feira, 3.

“É preciso fazer isso para evitar o colapso” da rede de saúde, disse Chagas, que se recupera de infecção pela doença, diagnosticada uma semana atrás.

Segundo ele, a “expectativa do Governo é que desacelere nestes 14 dias” próximos o nível de contágio no estado, que chegou a seu pior patamar desde o início da pandemia. “Não é que vai zerar. É dar possibilidade de o Governo atender os pacientes. É reduzir circulação, reduzir circulação de vírus e de atendimento, reduzir internação”, explicou.

Questionado se o Ceará não teria demorado a adotar o lockdown, o secretário declarou que o Estado avaliou cada medida etapa a etapa. “O Governo vai agindo de forma gradual. Se tivesse feito em janeiro, a gente teria condições de estar até agora (em lockdown)?”, perguntou.

“A gente vai ganhando tempo para ampliar leitos”, continuou o chefe da Casa Civil. “O Ceará abriu 3.200 leitos extras. Vamos ganhando tempo. Quanto menos puder impactar, melhor. Leva muitas variáveis em consideração. Tudo que pode estar fazendo, governador está fazendo. Somos um dos primeiros estados a decretar lockdown efetivamente.”

Sobre a elaboração do decreto que estabelece o fechamento de atividades não essenciais a partir de hoje e se estende até dia 18 de março, Chagas relatou que foi “uma decisão difícil”.

 

Nessa negociação, feita com a participação de autoridades sanitárias, representantes do Ministério Público, Assembleia Legislativa do Ceará, OAB-CE e outras entidades, além do setor produtivo, havia também a preocupação de não sacrificar ainda mais a economia.

“Há um diálogo permanente com o setor produtivo, com CDL, Fiec. Obviamente não é tranquilo, mas ontem mesmo (quarta-feira) houve uma conversa. Tem que haver uma sinceridade”, informou.

“Temos que ouvir e ir dosando”, prosseguiu Chagas. “Encontrar a melhor forma não é fácil, tem uma população muito pobre que precisa sobreviver, é um impacto. É uma decisão que traz muitos impactos.”

 

Como exemplo, citou São Paulo e Bahia, que instituíram vetos à circulação, mas flexibilizaram ações, que permitem funcionamento de templos e escolas. “São Paulo com templos, escolas etc. Bahia com os cultos religiosos também funcionando com 30%. Essas medidas são graduais e avaliadas passo a passo, inclusive a efetividade das ações”, argumentou.

“O ideal seria não precisarmos, concorda?”, declarou, “mas veja onde estamos. Qual a diretriz nacional? Veja onde nós estamos, veja o que o presidente da República faz”.

De acordo com Chagas, “no mundo inteiro é o presidente que dá a diretriz; aqui é o contrário, a diretriz é contrária”, devolveu, numa crítica à conduta de Jair Bolsonaro (sem partido).

 

O presidente visitou o Ceará exatamente uma semana atrás, na sexta-feira, 26, quando esteve na cidade de Tianguá para assinar uma ordem de serviço de obra viária.

Durante sua passagem, Bolsonaro promoveu aglomerações, liberou entrada de apoiadores em área restrita e estimulou contatos físicos sem uso de máscara, mesmo com decreto vigente e recomendação do MPF para que não desrespeitasse as regras.

Em atividade ontem, o presidente voltou a criticar as medidas de isolamento social e disse que é preciso deixar de “mimimi”. Enquanto isso, o Brasil vem batendo recorde de mortos por Covid há dois dias seguidos.

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