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Manifestos pró e contra Bolsonaro expõem divisão entre médicos no Ceará

Documento que critica Bolsonaro já reúne quase mil assinaturas. Manifesto de apoio coletou aproximadamente 300 adesões
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Roberto da Justa:maioria dos médicos é contra Bolsonaro (Foto: FCO FONTENELE)
Foto: FCO FONTENELE Roberto da Justa:maioria dos médicos é contra Bolsonaro

Lançados nos últimos três dias, manifestos pró e contra Jair Bolsonaro assinados por médicos cearenses expõem divisão da categoria no Ceará, na esteira do agravamento da crise causada pela pandemia de Covid-19.

Um desses documentos, que se posiciona contra as políticas negacionistas do Governo Federal e a favor da vacinação em massa, já soma quase mil assinaturas de profissionais da área.

Divulgado na última terça-feira, 16, como forma de pressionar Bolsonaro a acelerar a imunização da população, o manifesto é também uma resposta a outra declaração pública de médicos, esta de apoio a Bolsonaro, que agrupa até agora cerca de 300 nomes.

Crítico da conduta presidencial em meio ao aumento de casos da doença e de mortes, que se sucedem em recordes quase diários, o médico infectologista Roberto da Justa é um dos assinam o texto contra Bolsonaro.

"Resolvemos mostrar para a sociedade que a categoria tem compromisso com a vida e a maioria não compactua com o que o Governo vem fazendo", expressa Justa. "Em última instancia, é isso que assumimos na medicina. E é também uma resposta à carta de apoio de número reduzido de médicos há dois ou três dias".

Para ele, o Brasil passa por "momento trágico", com o Ministério da Saúde conduzido durante parte do tempo por "um ministro militar" numa "catástrofe humanitária", sem perspectiva de vacinação suficiente para todos.

Também apoiador do manifesto contra as ações da gestão Bolsonaro na pandemia, o médico Ramon Rawache afirma que um dos princípios que guiam a nota coassinada pelo grupo é "dizer que a gente só sai dessa agonia com vacinação em massa".

"Precisamos disso para baixar número de mortes, precisamos de política de isolamento social efetiva, sem boicote do presidente, e precisamos de auxílio digno para os mais pobres", defende.

Sobre o documento ao qual o texto endossado por ele se opõe, Rawache considera que, a despeito do número significativamente menor, "ter 200 ou 300 médicos que apoiam o governo é assustador".

"Mas, ao fim", continua o médico, "esse percentual é o mesmo que ainda há de apoio na sociedade como um todo". Um dos organizadores da coleta de assinaturas, Rawache diz que o coletivo estuda como continuar a incluir adesões a partir de agora.

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Presidente do Sindicato dos Médicos do Ceará e um dos apoiadores do manifesto de apoio a Bolsonaro, Edmar Fernandes argumenta que "a culpa não é 100% do Governo Federal" pela piora no quadro sanitário nacional, que se agravou nas últimas semanas.

"Não podemos dizer que o governo é apenas culpado, há estados e municípios também. Não existe condução única, a condução local também é errônea. Por causa de brigas políticas, não se segue uma linha", rebate.

De acordo com o líder da entidade, "quem está sendo contra (Bolsonaro) faz parte do grupo das pessoas que apoiaram outro partido eleição passada".

"Boa parte dos médicos apoiou o impeachment (de Dilma Rousseff)", prossegue, "porque a atuação dos governos do PT foi danosa. É um direito de se manifestar".

Embora faça uma defesa do presidente, Fernandes admite que, "neste momento, a humanidade está contra o vírus e temos que fazer de tudo para evitar pegar porque não existe cura. Temos que fazer isolamento e vacinar. Vacinas que tragam plena defesa, o que tiver dentro da segurança".

O médico acrescenta: "Mas, se pegar a doença, sou favorável a tratamento precoce. Estou vendo de todos os lados, não estou dizendo quem é culpado".

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