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Para epidemiologista, Barra Torres foi claro e defendeu perfil técnico da Anvisa

"Ainda se posicionou de maneira firme, em diversos momentos discordando abertamente do presidente Jair Bolsonaro, a favor do distanciamento, do uso de máscaras e da vacinação em massa", afirma pesquisador da USP
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Presidente da Anvisa confirma tentativa de mudar bula da cloroquina em reunião ministerial (Foto: Edilson Rodrigues/Agência Senad)
Foto: Edilson Rodrigues/Agência Senad Presidente da Anvisa confirma tentativa de mudar bula da cloroquina em reunião ministerial

Julio de Carvalho Ponce, doutor em Epidemiologia pela Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (USP), acompanhou o depoimento de Antônio Barra Torres à Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) da Covid e disse ao O POVO que o presidente da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) foi muito claro nas respostas oferecidas aos senadores. 

Segundo Ponce, um aspecto destacável da explanação de Torres foi a defesa feita da independência e do caráter técnico da agência reguladora. "Ainda se posicionou de maneira firme, em diversos momentos discordando abertamente do presidente Jair Bolsonaro, a favor do distanciamento, do uso de máscaras e da vacinação em massa", adicionou o epidemiologista.

Questionado se a bula de algum medicamento pode ser alterada por meio de decreto presidencial, ele subscreveu as palavras de Barra Torres.

O dirigente da Anvisa disse na CPI que "só quem pode modificar a bula é a agência reguladora" quando requisitada pelo laboratório fabricante.

"O solicitante deve indicar as alterações e justificá-las com dados clínicos de estudos", complementou o médico, destacando já haver consenso científico sobre a ineficácia da cloroquina para a Covid-19.

Integrante do grupo Ação Covid, uma coalizão de pesquisadores dedicada a estudar o avanço da Covid-19 no Brasil, o sociólogo Jonatha Vasconcelos também acompanha atentamente o desenrolar da CPI.

Doutorando em Sociologia pela Universidade Federal de Sergipe (UFS) e integrante do Laboratório de Estudos do Poder e da Política (Lepp-UFS), Vasconcelos observa que setores da sociedade civil e da política institucional, como a imprensa e o próprio Senado, têm sido mais rígidos com a posições negacionistas neste momento da crise.

"Esperava-se neste dia, que se estendeu pela tarde, era uma resposta de caráter técnico que conseguisse, de alguma forma, atingir alguns pontos de uma gestão negacionista da Covid pelo Governo Federal. Nesse sentido, os senadores sentiram-se contemplados pelas respostas do Barra Torres", afirma o pesquisador.

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