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Partidos se movimentam contra PEC do voto impresso

| Câmara | Siglas substituem deputados que defendem mudança eleitoral por outros alinhados à orientação das legendas, contrárias à proposta
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Partidos adversários da PEC do voto impresso começaram a se movimentar para tentar barrar sua aprovação na Comissão Especial da Câmara que discute o assunto. Depois de fecharem questão contra a medida, em reunião realizada no sábado passado, dirigentes de 11 partidos deflagraram o processo de troca de integrantes na comissão que são favoráveis à proposta por parlamentares alinhados à orientação do comando das legendas.

Na última quinta-feira, cinco partidos (MDB, PSD, PL, Patriota e PV) já trocaram membros da comissão, incluindo os deputados Júnior Mano (PL-CE), Raul Henry (MDB-PE), Israel Batista (PV-DF), Marreca Filho (Patriota-MA) e Charles Fernandes (PSD-CE) como titulares.

O Solidariedade também indicou Bosco Saraiva (AM) como membro titular no colegiado - o espaço estava vago. Dois suplentes do PL também foram retirados da comissão, abrindo vaga para Bosco Costa (PL-SE) e Márcio Alvino (PL-SP).

Outros partidos, como PSDB, Republicanos, PSL, Cidadania, PP e Avante, também participaram do encontro dos dirigentes e devem fazer as alterações, na composição da comissão, necessárias até assegurar maioria para derrubar a proposta. O PT e a Rede já tinham se declarado contra a PEC.

A votação do parecer do relator Filipe Barros (PSL-PR), favorável à aprovação, está prevista para segunda-feira, 5.

Líder do PSDB na Câmara, Rodrigo de Castro (MG) reforçou ontem a posição de defesa da manutenção do sistema de votação por urna eletrônica. "É evidente que todo sistema deve ser sempre aprimorado, especialmente quando diz respeito a algo muito valoroso para o Brasil, que é a democracia. Hoje temos um sistema de votação confiável, com segurança atestada inúmeras vezes, e que deve ser defendido", disse o tucano.

A PEC do voto impresso é uma das principais bandeiras políticas de Jair Bolsonaro (sem partido). A Comissão Especial da Câmara discute justamente um texto proposto pela deputada Bia Kicis (PSL-DF), aliada do presidente.

A ação dos dirigentes dos partidos foi feita com a participação do presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), Luís Roberto Barroso, e com o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes, que presidirá a Corte eleitoral no período das campanhas, em 2022.

Tanto Barroso como Moraes são contrários às mudanças no atual sistema de votação por urnas eletrônicas.

Pela proposta em análise na comissão, as urnas seriam modificadas para acrescentar também um voto impresso que poderia ser auditado na apuração das eleições.

Bolsonaro e seus seguidores têm insistido na defesa da adoção da PEC do voto impresso. O presidente afirma, seguidamente, que sem esse mecanismo as eleições serão fraudadas. Ele também repete, mas sem nunca ter apresentado qualquer prova, que teria vencido a eleição de 2018 já no primeiro turno.

A operação de substituição de integrantes da comissão começou a ser feita porque, atualmente, os defensores da proposta têm maioria. Dos 32 deputados que compunham a comissão até o mês passado, 21 eram favoráveis ao texto e apenas quatro, contrários. Outros sete disseram estar indecisos.

Com as substituições já feitas, o número dos favoráveis cai para 16, com dez votos contrários. Tudo indica que, com outras alterações e a adesão de indecisos, o placar poderá virar até a data da votação. (Agência Estado)

Aécio

Tentando evitar derrota total da proposta, Aécio Neves (PSDB-MG), defensor da PEC, apresentou sugestão de que apenas 3% das urnas eletrônicas tivessem a mudança introduzida em 2022, em espécie de teste. Em 2014, ele contestou o resultado da eleição, quando foi derrotado por Dilma Rousseff (PT), mas o protesto não prosperou

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