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Camilo manda abrir inquérito para apurar ameaças de bolsonaristas a padre

| Igreja da Paz | Via redes sociais, o governador Camilo Santana (PT) disse que ações de ódio e intolerância contra o padre Lino Allegri não ficarão impunes
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Apoiadores do presidente Jair Bolsonaro lotaram a Igreja da Paz neste domingo. Padre Lino foi afastado de maneira preventiva (Foto: Fernanda Barros)
Foto: Fernanda Barros Apoiadores do presidente Jair Bolsonaro lotaram a Igreja da Paz neste domingo. Padre Lino foi afastado de maneira preventiva

O governador Camilo Santana (PT) anunciou ontem que mandou instaurar inquérito para investigar "qualquer tipo de ameaça" contra o padre Lino Allegri, que vem sendo alvo de ataques, feitos por grupos bolsonaristas, após fazer críticas ao presidente da República durante missas na Paróquia da Paz, no bairro Aldeota. "Inaceitável a atitude desses que se dizem cristãos 'invadirem' uma igreja para insultar e intimidar um líder religioso. Informo que desde a semana passada determinei ao nosso secretário da Segurança para não só enviar policiais para garantir a integridade do padre Lino, como instaurar inquérito para apurar qualquer tipo de ameaça contra ele. Não iremos aceitar que atitudes como essa, de ódio e intolerância, fiquem impunes", afirmou Camilo em suas redes sociais.

Mais cedo, grupos de apoiadores do presidente Jair Bolsonaro (sem partido) estiveram presentes em peso durante missa celebrada neste domingo, 18, na Paróquia da Paz. A celebração, iniciada às 8 horas, ocorreu após o padre Lino ser hostilizado por um grupo de fiéis por manifestar críticas ao chefe do Executivo nacional e lembrar das mais de 500 mil mortes por Covid-19 no Brasil.

Durante toda a manhã, duas viaturas da Polícia Militar estiveram em frente à igreja. Ao serem questionados, os policiais negaram que o esquema de segurança tivesse relação com os últimos tumultos. A reportagem presenciou ainda o momento em que uma mulher que dirigia um carro parou brevemente em frente às viaturas da PM e pediu a prisão de "comunistas que estavam na igreja".

Dentro do templo, alguns dos presentes usavam camisas com os dizeres "Bolsonaro 17". Já outros, mais reclusos, vestiam camisas da seleção brasileira com as cores da bandeira do Brasil. O recente episódio envolvendo a paróquia atraiu a presença do coronel Ricardo Bezerra, crítico de Lino Allegri. Segundo ele, o vigário virou um "padre proselitista".

"Esse negócio da doutrina dos oprimidos, isso tudo não é para ser praticado aqui. Ele ainda está desrespeitando as autoridades constituídas da nação. O padre peca com isso. Vai perder muitos fiéis se continuar nessa linha", disse o militar.

A reportagem tentou contato com outros membros críticos ao pároco, mas grande parte negou contato.

Segundo informações de suas redes sociais, Ricardo frequentou a Escola Preparatória de Cadetes do Exército, em São Paulo, e estudou na Academia Militar das Agulhas Negras (AMAN). Ele chegou a trabalhar no 23º Batalhão de Caçadores, no Bairro de Fátima, em Fortaleza. Seguidor de Bolsonaro, se apresenta como ferrenho opositor de Allegri. Foi candidato a deputado federal, pelo PSL, nas eleições de 2018, e a vereador de Fortaleza, pelo Pros, nas eleições de 2020. Declarou bens da ordem de R$ 4,93 milhões.

Em entrevista ao O POVO, padre Lino afirma que "essas pessoas (que o criticam) têm todo o direito de discordar daquilo que eu digo, mas reivindico a liberdade de poder dizer aquilo que acho conveniente para o bem da comunidade".

Ele explica ainda qual seu objetivo com sermões de viés político. "O que tento fazer é sempre colocar a palavra de Deus dentro da realidade, do cotidiano em que o povo vive. É uma tentativa de fazer com que o Evangelho, escrito há muito tempo, possa ser uma força, uma luz para os dias de hoje. Um Evangelho se encarnando na vida do povo de hoje", diz.

 

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