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Favorecidos por polarização, Lula e Bolsonaro criticam terceira via

| 2022 | Declarações dos dois principais postulantes ao Planalto, segundo as pesquisas, gera reação de adversários. Partidos começam a apresentar possíveis presidenciáveis
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Bolsonaro e Lula são os principais nomes para a disputa presidencial de 2022. (Foto: Bolsonaro: Agência Brasil / Lula: AFP MIGUEL SCHINCARIOL )
Foto: Bolsonaro: Agência Brasil / Lula: AFP MIGUEL SCHINCARIOL Bolsonaro e Lula são os principais nomes para a disputa presidencial de 2022.

Opositores em quase tudo, o presidente Jair Bolsonaro (sem partido) e o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) se manifestaram de maneira similar sobre a movimentação de diversos partidos para a criação de uma chamada "terceira via" eleitoral para 2022, ou seja, uma candidatura que rivalize com ambos de forma consistente no pleito do ano que vem.

Na última semana, Bolsonaro afirmou que "não existe terceira via" e reconheceu a polarização existente entre ele e o petista. Para o presidente, a tentativa de emplacar um outro nome “não vai atrair a simpatia" da população.

"Tem uma passagem bíblica que diz, seja quente ou frio, não seja morno. Então terceira via, povo não engole isso aí (...) Não vai dar certo. Não vai agregar, não vai atrair a simpatia. Não existe terceira via, está polarizado".

A estratégia bolsonarista que começa a se desenhar passa pela intensificação da polarização com Lula. A ideia de chegar ao segundo turno contra o petista faria com que o presidente investisse, novamente, no discurso antipetista que o elegeu em 2018.

Entretanto, Bolsonaro carregará o peso do governismo e dos efeitos da pandemia de Covid-19 que tirou a vida de mais de 540 mil brasileiros. Além disso, Lula tem peso político superior ao de Fernando Haddad, adversário de três anos atrás.

Lula foi às redes sociais na terça-feira, 21, afirmar que a terceira via é "uma invenção dos partidos que não têm candidato". Ele criticou o termo "polarização", usado para definir a situação política do Brasil, afirmando que "de um lado é democracia e do outro é fascismo".

"Quem está sem chance usa de desculpa a tal da terceira via. Seria importante que todos os partidos lançassem candidato e testassem sua força", escreveu no Twitter.

 

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As falas de Lula e Bolsonaro geraram reações de representantes da terceira via. O ex-ministro da Saúde Luiz Henrique Mandetta (DEM) disse que ambos têm “medo” da ideia e querem convencer o eleitor da sua inviabilidade. "Eles precisam um do outro e estão com medo”, disse. Os governadores tucanos João Doria (SP) e Eduardo Leite (RS) também reagiram.

O paulista disse que Lula sonha em disputar a eleição apenas com Bolsonaro e vice-versa, mas que o sonho dos brasileiros é “que os dois percam a eleição”. O gaúcho afirmou que “ninguém chuta cachorro morto” e que se não existe terceira via, não sabe porque “estão se preocupando”.

Dirigentes de algumas siglas trabalham para que no ano que vem se construa uma união em torno do candidato que se mostrar mais competitivo. Nesse sentido, os nomes começam a ser postos no tabuleiro político.

A senadora Simone Tebet (MDB-MS) foi a última a se juntar à lista que atualmente conta ainda com os senadores Rodrigo Pacheco (DEM-MG) e Tasso Jereissati (PSDB-CE) e com o ex-juiz Sergio Moro.

 

Outra prática comum ao período pré-eleitoral que precisa ser levada em consideração é que os partidos lançam nomes para se firmar como uma força a ser considerada. Mesmo que seus candidatos não cheguem ao segundo turno, uma boa porcentagem de votos serve como moeda de negociação. O apoio desses "aliados de última hora" pode garantir espaços no governo ou ministérios aos partidos que apoiarem o vencedor.

Cleyton Monte, cientista político vinculado ao Laboratório de Estudos sobre Política, Eleições e Mídia (Lepem-UFC), aponta caminhos para a viabilidade da terceira via. "É uma construção. O primeiro ponto importante é ter um projeto e fazê-lo conhecido. Lula e Bolsonaro têm suas visões de mundo e seus projetos que, questionáveis ou não, estão bem colocados".

De acordo com o pesquisador é preciso construir uma pauta conectada com as demandas sociais. "A viabilidade exige base social, portanto, articulação política, programa, estratégia eleitoral e financiamento. Tudo isso para ser uma candidatura competitiva", aponta.

Como o histórico eleitoral da redemocratização para cá não é favorável a grupos que tentam romper a polarização, o cientista político cobra pressa das legendas. "Os partidos têm que escolher logo a figura que representa essa ideia; ainda há um clima muito especulativo. É um trabalho muito árduo que deveria estar mais adiantado", encerra.

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