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"Ódio pelas mulheres" motivou veto de Bolsonaro a absorventes, diz vereadora

| Saúde | Em entrevista ao Jogo Político, Larissa Gaspar destacou que, no CE, Camilo criou medida de dignidade menstrual com menos recursos que a União
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Jogo Político desta terça-feira, 12 de outubro de 2021, com apresentação do jornalista Ítalo Coriolano e participação da repórter Gabriela Custódio. (Foto: Cinthia Medeiros / O POVO)
Foto: Cinthia Medeiros / O POVO Jogo Político desta terça-feira, 12 de outubro de 2021, com apresentação do jornalista Ítalo Coriolano e participação da repórter Gabriela Custódio.

A vereadora de Fortaleza Larissa Gaspar (PT) repudiou o veto do presidente Jair Bolsonaro (sem partido) à distribuição de absorventes para mulheres de baixa renda, e disse que a decisão se dá por conta da "sua misoginia" e do "ódio pelas mulheres". Declaração foi dada nesta terça, 12, em entrevista ao programa Jogo Político.

Gaspar classificou a decisão do presidente como um descaso com a vida de mulheres. "O presidente vetou por sua misoginia e ódio pelas mulheres. Ele vetou porque para ele pouco importa nossa vida, pouco importa se estamos adentrando nos hospitais. Absurdo o veto e a justificativa não justifica", afirmou.

A parlamentar lembrou ainda que, no Ceará, o governador Camilo Santana (PT) "implantou programa de dignidade menstrual e está distribuindo absorventes", apesar da diferença de recursos se comparado à verba da União. "No Brasil de hoje que voltou ao mapa da fome, onde as pessoas não têm dinheiro para comprar comida, imagine para comprar absorventes", reforçou.

Em justificativa a apoiadores sobre o veto, Bolsonaro disse que quando qualquer projeto cria despesa, o parlamentar "sabe que tem que mostrar a fonte de custeio".

"Quando ele não apresenta eu sou obrigado a vetar (...) É irresponsabilidade apresentar um projeto e aprovar sem apresentar fonte de custeio. Isso é feito para desgastar", pontuou. Entretanto, o texto da proposta aponta que os recursos para a questão seriam oriundos do SUS e de outras fontes.

Questionada sobre o veto do petista Fernando Haddad à distribuição gratuita de absorventes quando era prefeito de São Paulo, Larissa Gaspar afirmou que um erro não precisa se repetir. Nas redes sociais, apoiadores de Jair Bolsonaro têm acusado opositores de hipocrisia por conta das críticas ao gestor que vetou absorventes para mulheres de baixa renda.

"Se os gestores erraram no passado, esses equívocos têm que ser encerrados. Que se distribuam absorventes, que se desonerem impostos (...) A gente tem que caminhar para frente. Hipocrisia é o presidente gastar milhões no cartão corporativo e vetar uma política pública que foi estimada em 80 milhões de reais", afirmou a parlamentar.

Em 2013, a então presidente Dilma Rousseff (PT), correligionária de Haddad, vetou parte do texto da Medida Provisória (MP) nº 609 que isenta produtos da cesta básica da alíquota do PIS/PASEP e Cofins. O trecho excluído deixou de fora escovas de dente, fraldas descartáveis e absorventes.

Nesta segunda-feira, diante da forte polêmica em torno do tema, a ministra Damares Alves (Mulher, Família e Direitos Humanos) disse que o governo federal apresentará um programa de distribuição de absorventes para mulheres em situação de vulnerabilidade nos próximos dias. Damares postou uma foto com o deputado Roberto de Lucena (Podemos-SP), presidente da Frente Parlamentar em Defesa dos Direitos Humanos, e disse ter garantido ao parlamentar a criação do programa

A fala marca mudança de postura da ministra, que havia saído em defesa de Bolsonaro. A ministra argumentou que o orçamento da União deve estar resguardado a outras prioridades, como o combate à pandemia. "Hoje a gente tem que decidir, a prioridade é a vacina ou é o absorvente?", questionou.

 

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