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Relatório acusará Bolsonaro de causar mortes com intenção

| PANDEMIA | Cearense Mayra Pinheiro também deve constar no texto
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Renan Calheiros tenta ampliar apoio ao seu relatório (Foto: AFP)
Foto: AFP Renan Calheiros tenta ampliar apoio ao seu relatório

O relatório do senador Renan Calheiros (MDB-AL), com mais de mil páginas, acusará o governo de Jair Bolsonaro (sem partido) de ter provocados mortes por covid-19 de maneira intencional. Bolsonaro deve ser indiciado por 11 crimes: epidemia com resultado de morte; infração a medidas sanitárias preventivas; emprego irregular de verba pública; incitação ao crime; falsificação de documentos particulares; charlatanismo; Prevaricação; genocídio de indígenas; contra a humanidade; de responsabilidade e de homicídio comissivo por omissão no enfrentamento da pandemia.

Um dos tópicos presentes no texto ao qual o Estadão teve acesso é o do estimulo da administração federal para que a população ignorasse medidas de isolamento social e prescindisse do uso de máscaras, fatores que elevaram a taxa de contaminação e o número de mortos.

O tratamento precoce também será destacado no documento. Agentes do governo defenderam e ainda defendem o uso de remédios sabidamente ineficazes no combate ao vírus, como hidroxicloroquina, azitromicina e ivermectina.

O chamado kit covid proporcionou falsa sensação de segurança em parte da população e também fez com que o País investisse recursos de maneira inútil. A estimativa é de que ao menos R$ 41,07 milhões tenham sido gastos com cloroquina e hidroxicloroquina. Outros R$ 15,6 milhões foram empregados em azitromicina.

O Exército Brasileiro fabricou cloroquina, tendo gastado mais de R$ 1 milhão em 2020 com a produção do remédio. O atraso para a aquisição dos imunizantes Pfizer e Coronavac está descrito no relatório como "grave omissão do governo". A Covaxin entra no texto como imunizante que seria adquirido - celeremente, enquanto a Pfizer era ignorada - pelo governo brasileiro por valores acima dos praticados no mercado.

Os deputados federais Carlos Jordy (RJ), Bia Kicis (DF) e Carla Zambelli (SP), o blogueiro Allan dos Santos, empresários como Luciano Hang e Otávio Fakhoury , além do pastor Silas Malafaia e dos assessores Filipe Martins e Tercio Arnaud serão indiciados por disseminação de notícias falsas que contribuíram para agravar a crise sanitária.

De práticas reveladas na parte final da CPI, a operadora Prevent Senior será indiciada por falsificar informações de modo a promover o "kit covid", tornar cobaias humanas os associados, assediar médicos que se contrapuseram ao tratamento precoce e ocultar mortes e fraudar atestados de óbito. (Carlos Holanda)

 

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