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Alckmin se diz preocupado com fala de Lula sobre reforma trabalhista

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O ex-governador de São Paulo Geraldo Alckmin mostrou apreensão ao saber que a cúpula do PT pretende rever a reforma trabalhista aprovada no governo Michel Temer, caso o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva seja eleito para o Palácio do Planalto.

Cotado para ser o vice na chapa de Lula, Alckmin conversou ontem com o presidente do Solidariedade, Paulo Pereira da Silva, o Paulinho da Força, e foi convidado oficialmente para ingressar no partido, mas ainda não definiu seu destino político.

Em café com o deputado numa padaria da zona sul, o ex-governador disse que o mercado ficou preocupado com sinais emitidos por petistas de que haverá um "revogaço" caso Lula assuma a Presidência. Alckmin quis saber a opinião das centrais sindicais sobre o assunto.

Na conversa, Paulinho da Força afirmou que as centrais não planejam desfazer a reforma trabalhista inteira. Avaliam, no entanto, que, desde as mudanças aprovadas no governo Temer, em 2017, o Brasil vive uma escalada de desemprego. "Nosso maior desafio é tirar o País dessa situação e pensar em mais emprego e renda para o brasileiro", disse o ex-governador.

À noite, o presidente Jair Bolsonaro (PL) rebateu as críticas. "Com muitos direitos, você pode não ter emprego", reagiu ele, em entrevista à Jovem Pan.

Lula fará hoje uma reunião com representantes do governo da Espanha, a fim de debater a reforma trabalhista promovida naquele país em 2012 e a sua respectiva revisão. Presidentes de centrais sindicais do Brasil e da Espanha foram convidados para o encontro, que será na Fundação Perseu Abramo.

Adriana Lastra, vice-secretária-geral do PSOE - o partido de Pedro Sánchez, presidente do governo da Espanha -, e José Luis Escrivá, ministro de Seguridade e Migrações, terão participação virtual.

Paulinho da Força disse a Alckmin que as centrais querem uma negociação tripartite entre governo, trabalhadores e empresários. Uma das ideias é mudar um artigo do texto que passou pelo Congresso para que predomine o que for aprovado em assembleia, notadamente em relação à cobrança da contribuição sindical por categoria. No diagnóstico das centrais, a reforma trabalhista asfixiou financeiramente as entidades.

A reportagem apurou que o ex-governador gostou da conversa. Sem partido desde 15 de dezembro, quando deixou o PSDB, Alckmin está entusiasmado com a proposta para ser vice de Lula e não pretende mais concorrer ao governo paulista. No ano passado, contratou o marqueteiro Henrique Abreu para cuidar de suas redes sociais, como Twitter e Instagram, e saiu do ostracismo digital. (Agência Estado)

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